Prefeitura determina paralisação de obras na Transoceânica

Raquel Morais –

Um atraso nas obras do corredor da Transoceânica vai comprometer, mais uma vez, o cronograma de entrega do corredor viário mais esperado de Niterói. As primeiras intervenções foram em 2015 e o prazo para entrega do projeto seria de dois anos, em 2017. Na última sexta-feira foram publicados no Diário Oficial duas ordens de paralisação das obras de construção das 11 estações BHS do corredor. As plataformas de embarque e desembarque estão sem funcionários trabalhando, com materiais nos locais, serviços inacabados. Somente na estação próxima à AABB uma equipe foi encontrada trabalhando.

Segundo funcionários que não quiseram se identificar, as obras nas plataformas estão em fase de acabamento. Faltam instalações de vidros e fiação elétrica, polimento do granito colocado no chão, cortes de vergalhões nas laterais do meio-fio, acabamento dos canos que vão conduzir os fios, entre outros detalhes.

A situação mais crítica é da estação de Charitas, que foi depredada na última semana, conforme divulgado na TRIBUNA. Porém, na época, a Prefeitura de Niterói não se manifestou sobre o assunto e a plataforma continua do mesmo modo. As oito portas automáticas estão abertas, os circuitos automáticos das portas foram quebrados para retirada de peças, o banheiro foi destruído e até as roletas continuam quebradas. A estação de embarque do corredor viário está servindo de passagem para os pedestres e também como moradia de desabrigados.

O vereador Paulo Eduardo Gomes (PSol) comentou o atraso das obras da Transoceânica e disse que já deveriam ter sido paralisadas há mais tempo.

“Aquelas estações não eram as estações autorizadas e isso seria um trabalho de investigação para fazer. Foram R$ 292 milhões da Caixa para fazer uma Transoceânica com as estações, que deveriam estar prontas em 2016. Já consumiu quase R$ 500 milhões. As estações compradas por quase R$ 1 milhão, segundo especialistas, engenheiros e arquitetos amigos meus, não valem nem R$ 400 mil”, comentou. Ele ainda ressaltou que o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) ordenou a paralisação dessa obra.

De acordo com o TCE-RJ, desde a última apreciação o assunto não voltou ao plenário. Ele foi debatido em janeiro de 2018, quando o tribunal identificou, através de auditoria, um superfaturamento de R$ 11.598.376,03 nas obras da Transoceânica. Além disso, o Corpo Instrutivo apurou um sobrepreço de R$ 10.987.930,30 no edital e de R$ 4.642.373,25 em um termo aditivo. Na época diversas pessoas foram chamadas para esclarecimento, como funcionários da Emusa e Consórcio Constran-Carioca-Transoceânica para que apresentassem defesa.

O motivo da paralisação dos serviços e o novo cronograma de entrega não foram divulgados pela Prefeitura de Niterói, assim como as ações que serão tomadas para regularizar a situação da estação de Charitas.

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