Prédios públicos abandonados são um perigo para a população

Andar pelas ruas não é uma tarefa muito fácil para quem mora em Niterói, tudo por que alguns prédios públicos do Estado, que estão em situação de abandono, ameaçam a segurança do pedestre e o que era para passar despercebido ou servir de contemplação, já que alguns contam um pouco da história do país, simplesmente ruem ou em um claro português desmoronam diante da população. Este é o caso do prédio da sede do Departamento Estadual de Estradas e Rodagem (DER-RJ), situado à Rua Professor Heitor Carrilho, no Centro. A fachada parece dissolver com a velocidade do vento e já atingiu uma pessoa, que por sorte não teve ferimentos graves.

“Eu caminhava pela calçada e de repente senti um pedaço da fachada cair no meu ombro e outra parte cair atrás de mim. Foi horrível! Um susto enorme porque eu não entendia o que estava acontecendo. Imagino se o reboco que caiu batesse na minha cabeça ou ainda e se fosse uma mãe carregando um recém-nascido, sem dúvida esse prédio é uma bomba relógio e a gente fica no meio deste fogo cruzado”, comenta o jovem, que não quis se identificar e que trabalha na região e diariamente passa pelo local, agora utiliza o outro lado da calçada.

Se no DER o medo é de que a fachada caia na cabeça de quem passa na calçada, poucos metros adiante o cidadão é obrigado a dar de cara e presenciar in loco, a degradação do prédio do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj), situado na Rua Saldanha Marinho.

Desde 2015, A TRIBUNA acompanha a situação do prédio e cobra do Estado uma posição sobre como o local poderia ser reformulado e recuperado, podendo receber até mesmo projetos abertos ao público em geral e somar forças no intuito de melhorar o atendimento médico na cidade, podendo receber até mesmo a nova unidade do Rio Imagem 2 que ainda não saiu do papel, mas a resposta é sempre, não. O local continua com rachaduras expostas, falta de pintura e simboliza o abandono da saúde no estado.

Quando questionada, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) confessou que o instituto não é a prioridade do governo. Ali ainda funcionam, somente para servidores estaduais, oito serviços ambulatoriais: clínica médica, ginecologia, homeopatia, neurologia, nutrição, psicologia clínica, psiquiatria e serviço social. Segundo a SES, diante da grave crise econômica pela qual o Governo do Estado vem passando, todos esforços e recursos vêm sendo destinados à manutenção e ao funcionamento das unidades estaduais de saúde, prioritariamente.

Apesar de ainda não ter um prédio físico, o Centro de Diagnóstico por Imagem do Estado do Rio de Janeiro (Rio Imagem 2), também já aparece como imagem do abandono. O canteiro de obras na Rua Marquês de Paraná está há tempos abandonado, sem qualquer vestígio de que ali seria erguido um Centro que poderia estar salvando vidas. Segundo estimativas da própria secretaria, cerca de mil exames seriam realizados por dia no local.

“Lamentável passar por aqui e não ver este Centro pronto e salvando vidas com diagnósticos de precisão. Me sinto envergonhada como cidadã. As esperanças ficaram lá atrás, infelizmente” disse a professora Marta Moura, de 47 anos.

Imponente, o prédio que pertenceu ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), bem ao lado de onde está sendo construído o mergulhão, na Praça Renascença, e considerado o primeiro “Arranha Céu” de Niterói, hoje chama mais atenção pelo jogo de empurra que se tornou a sua responsabilidade e pelo estado de abandono, com janelas quebradas, do que com o valor histórico atribuído ao imóvel, quando foi tombado arquitetonicamente em 1994. Atualmente, o TCE não é mais responsável pelo local, repassado no dia 20 deste mês para o Departamento Geral de Ações Socioeducativas – Degase, órgão vinculado à Secretaria de Estado de Educação, agora responsável pela conservação do imóvel.

Em nota o DER-RJ apenas informou que não estão previstas obras de revitalização do imóvel.

A Secretaria de Obras, responsável pela execução do Rio Imagem 2, informou por nota que as obras estão paradas por conta da crise financeira do Estado. Há uma expectativa de que, com a assinatura do acordo de recuperação fiscal e a consequente entrada de novos recursos, os trabalhos sejam retomados.

Até o momento, o Degase não havia respondido sobre o destino do prédio do antigo TCE.

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