Prédio tradicional no Centro está de cara nova

Wellington Serrano –

Ele já foi considerado o primeiro shopping de Niterói, depois caiu em desgraça, com problemas estruturais e até policiais, mas agora está de cara nova, reequipado, com lojas, andares e galerias tinindo. Qual foi o custo disso tudo? Como foi o início dessa recuperação? A equipe de reportagem de A TRIBUNA esteve esta semana na galeria do Edifício Gold Star, no Centro, para descobrir qual a fórmula para virar o jogo.

Segundo Selma Núbia Santos Peixoto de Lima, presidente da Comissão de Gestão Provisória (CGP), com a chegada de novos shoppings na cidade o prédio passou por um período de abandono, até que nos últimos dez anos mudanças significativas ocorreram e viabilizaram a revitalização do edifício, especialmente na fachada e galeria, trazendo de volta um Gold Star moderno e atrativo para a cidade de Niterói.

Ela disse que tudo teve início em 2003, quando se iniciou um movimento para exigir que as antigas administrações prestassem contas e fizessem melhorias no edifício.

“O prédio estava em péssimo estado de conservação, com elevadores sucateados, parte elétrica e hidráulica bastante danificadas, com riscos para todos os moradores, conforme laudos da Defesa Civil Municipal”, afirmou a síndica.

Para resolver essas questões, em agosto de 2008 foi eleita a CGP, composta de três condôminos para gerir o condomínio.

“No ano de 2010, foi feita uma assembleia geral ordinária em consonância com a Convenção e fui eleita para meter a mão na massa”, recordou a síndica.

Segundo Selma, a primeira providência tomada pela administração foi a modernização dos elevadores. Em seguida a troca total da rede elétrica. A partir daí, iniciava-se uma nova administração, coparticipativa, para elevar a autoestima de moradores, comerciantes e trazer o edifício de volta aos seus tempos áureos.

A revitalização saiu graças a um processo que foi ganho da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). Ela não revelou os valores, mas de acordo com levantamentos, foram pagos R$ 2 milhões ao prédio, que ainda receberia mais R$ 1 milhão, mas a companhia conseguiu na Justiça o bloqueio do pagamento.

“Como existia um grande número de inadimplentes, foi proposta mais de duzentas ações de cobranças de cotas condominiais, resultando em alguns acordos que geraram receita para a realização de melhorias necessárias para o prédio”, explicou.

Ela diz que milagre não existiu. Tudo foi graças à dedicação, luta e persistência da atual administração.

“Foram feitos significativos, como por exemplo, a atual reforma da fachada e galeria que somente foi possível devido à união de um grupo que desde o início se mantém unido, com o objetivo de revitalizar o nosso edifício”, realçou Selma.

Memórias – Entre as várias histórias que a síndica relembrou ao botar ordem na casa está a de um morador insatisfeito que colocou fezes na porta do condomínio, pois era contrário a organização.

“Também fui ‘banhada com sopa’ por aplicar justamente estas regras. Existiam até jogos de azar onde na porta dizia ser Orações Kardecistas”, contou a síndica.

“Nada disso seria possível sem a colaboração dos condôminos, Conselho Fiscal e Consultivo, funcionários, contratados e advogados que, de acordo com as suas funções, ajudaram a concretizar o sonho de ver o Gold Star brilhando novamente no Centro de Niterói, interligando com destaque a Rua da Conceição à Avenida Amaral (Peixoto), sendo um dos prédios atualmente mais imponente, com sua fachada reluzindo e dando boas-vindas a nossa querida cidade de Niterói”, comemora a síndica.

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