Prática do mountain bike pode ganhar regras

Marcelo Macedo Soares –

Os praticantes mountain bike – ou ciclismo de montanha, numa tradução literal – podem ganhar regras específicas para o esporte. É o que prevê o Programa Estadual de Incentivo ao Ciclismo de Montanha, apresentado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) pelo deputado Carlos Minc (PSB). Ele abrange os parques estaduais e as trilhas localizadas em áreas públicas. A proposta também determina que o uso de bicicletas será permitido apenas em áreas específicas previstas por estudos, em locais devidamente sinalizados, observando uma série de exigências, sobretudo com relação à segurança. Porém, a ideia divide opiniões e gera questionamentos entre os ciclistas.

Em sua justificativa, Carlos Minc diz que a procura por locais apropriados para a prática das diferentes modalidades de ciclismo é crescente. Segundo o parlamentar, a regulamentação da prática do ciclismo em trilhas nos parques estaduais é um anseio antigo das associações de ciclismo, já que o esporte é praticado há muitos anos em diversas trilhas no Rio de Janeiro.

“A proposta visa o crescimento da prática da atividade de forma organizada, segura e estruturada, além de aumentar o número de visitantes dos parques e a divulgação destes para propiciar um maior interesse da população na visitação destes”, diz um trecho do projeto.

Outro argumento é o de que algumas trilhas existem há dezenas de anos e necessitam de cuidados para evitar o surgimento de erosões que as destruam. Uma das soluções seria uma parceria entre as entidades esportivas já existentes e a direção dos parques, podendo assim estabelecer regras e condições de manejo.

“Com o crescimento do esporte empresas do ramo podem vir a se interessar a ‘adotar’ algumas trilhas, empregando jovens esportistas para a referida manutenção. Trilhas são caminhos e cada uma delas possuem características próprias. A sinalização das mesmas orienta o praticante sobre o grau de dificuldade, nome, topografia, e tamanho, criando uma atmosfera de segurança e informação. Parcerias podem ser bem vindas para o custeio, instalação e manutenção das mesmas”, argumenta.

Mas os praticantes veem o projeto com desconfiança. O fotógrafo André Redlich, praticante de mountain bike, diz que é preciso saber como será realizada a fiscalização caso a proposta seja aprovada.

“É preciso conhecer o projeto em detalhes, saber que tipo de melhorias ele pode trazer para o esporte e, principalmente, como será feita a fiscalização”, questiona.

De acordo com o Projeto de Lei 4086/2018, “as associações representativas do ciclismo de montanha definirão em conjunto com o Poder Público o regulamento e os estudos necessários para a demarcação geográfica, sinalização, implantação e manutenção dos circuitos internos de trilhas para o ciclismo nos Parques Estaduais e encostas das montanhas do Estado do Rio de janeiro”. O campeão estadual de downhill, Jailton Mesquita, explica que para se fazer qualquer intervenção nas trilhas em parques estaduais é necessário cumprir uma série de exigências burocráticas. Tanto que sua equipe, a GPR, precisou se registrar em cartório para obter as licenças para cuidar da manutenção das trilhas.

“Pela lei, é crime qualquer intervenção em áreas de parques estaduais, mesmo que seja uma simples sinalização das trilhas”, explicou.

Waimea – Considerado um dos melhores locais para a prática do mountain bike no Estado, o Parque da Cidade reúne uma série de trilhas. Uma delas, a Waimea, está em processo de revitalização e Prefeitura de Niterói investiu mais de R$ 330 mil para realizar diversas intervenções no local. O administrador do parque, Alex Figueiredo, vê com bons olhos a criação do Programa.

“O Parque da Cidade possui diversas trilhas e oferece as melhores condições para a prática do mountain bike. Porém, por ser um lugar que abriga outras modalidades esportivas, muitas vezes em locais muito próximos, eventuais acidentes podem acabar acontecendo. Acho que a iniciativa vai trazer melhorias para todos”, declarou, lembrando que há seis meses não foi registrado nenhum acidente no parque envolvendo ciclistas.

Segundo a placa da Prefeitura de Niterói colocada no Parque da Cidade, as obras da Trilha Waimea deveriam terminar no próximo dia 25, mas a julgar pela situação do local, onde ontem não havia ninguém trabalhando, é pouco provável que os ciclistas possam contar com o novo espaço já na semana que vem.

A Prefeitura informou que a trilha está perto de ser reaberta, com previsão de conclusão dos trabalhos em outubro. A Waimea vai voltar a funcionar com cinco novas rampas, muro de contenção e passarelas, desobstrução de espaços, entre outras adaptações.

De acordo com a Empresa Municipal de Moradia Urbanização e Saneamento (Emusa), estão em execução as intervenções nas rampas para as manobras e a passagem para os atletas, assim como o muro de contenção e a passarela. Com orçamento de cerca de R$ 343 mil, a revitalização pode consolidar a pista como uma das principais para prática do esporte no País.

A Waimea tem percurso de um 1,2 km em uma área de cerca de 270 metros de altura no Parque da Cidade, entre os bairros de São Francisco e Piratininga.

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