Praça de guerra bem conhecida das organizadas no Barreto

Seis pessoas presas, cinco delas autuadas por tentativa de homicídio, além de um foragido da Justiça; 35 detidos para averiguação; tacos de basebol apreendidos; e várias pessoas feridas que deram entrada com escoriações em hospitais da região. Esse foi o saldo da tarde de selvageria promovida por torcedores rivais na Praça Enéas de Castro, no barreto, Zona Norte de Niterói, na quarta-feira antes do clássico entre Flamengo e Vasco, e que mobilizou grande aparato policial para região.

Moradores relataram momentos de pânico e muita violência, quando torcedores rivais se enfrentaram na praça e nas ruas do entorno, invadiram condomínios e transformaram a rotina do bairro num pesadelo. Um morador da Travessa Petronilha Miranda, nas proximidades, por exemplo, relatou que um dos envolvidos, para fugir do cerco da polícia, pulou uma grade de proteção e se escondeu numa rua, que é sem saída.

“Quando olhei, vi que a polícia estava enquadrando algumas pessoas. Quando as viaturas foram embora, percebi esse rapaz na calçada do meu prédio, se esgueirando e pulando o muro, dessa vez para fora, para fugir correndo. É muito preocupante porque muitas crianças ficam brincando ali e esse bandido, porque isso não é torcedor, é bandido, escondido ali. É uma situação muito preocupante”, contou o morador, preferindo anonimato.

O polícia apurou, ainda na tarde de quarta-feira, que membros de torcidas organizadas do Vasco estavam reunidos junto à Praça Enéas de Castro, quando torcedores rubro-negros chegaram vindos de São Gonçalo, dando início a um confronto generalizado. Eles se enfrentaram usando paus, inclusive tacos de basebol, e pedras. Muitos pedestres e motoristas que passavam pelo local, além de passageiros de ônibus, foram pegos de surpresa com o tumulto, correria e pancadaria.

O 12º BPM relatou, na manhã de ontem que no Hospital Santa Martha, em Santa Rosa, Zona Sul da cidade, deu entrada um homem identificado como Lucas Vasconcelos Ponce Pasini, de 27 anos. De acordo com o que os médios relataram aos policiais, ele deu entrada na unidade com um ferimento no braço e outro na cabeça, proveniente de lesão causada por bastão de madeira. Seu quadro foi diagnosticado como traumatismo craniano. Ele está internando no CTI e a unidade informou que não está autorizada a passar informações sobre seu estado de saúde.

Segundo a PM, Lucas estava na Praça Enéas de Castro no momento do enfrentamento de torcedores rivais. A ocorrência foi registrada na 76ª DP (Centro), mesma delegacia onde policiais militares já estavam registrando outra confusão envolvendo torcedores e vítimas que estavam num ônibus. Jefferson Silva Franco, de 27 anos; Felipe Vanderlei da Silva, de 31 anos; Alex Sander dos Santos Conceição Marinho, de 25 anos; Cleiton Taraves do Nascimento, de 24 anos; e André Filipe Batista Pereira, de 23 anos, foram autuados por tentativa de homicídio. Testemunhas confirmaram que torcedores do Flamengo teriam invadido a praça com paus e pedras. Também houve relato de disparos de arma de fogo, onde um torcedor, identificado como Lucas Rocha da Silva, foi ferido por um tiro na perna esquerda e encaminhado ao Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal). Também durante a apuração dos fatos, a polícia descobriu que outro acusado de envolvimento no tumulto generalizado, Guilherme Barreto de Pinho, de 35 anos, era foragido do sistema prisional.

Histórico de confusões

Para os moradores mais antigos da Praça Enéias de Castro, o enfrentamento entre torcedores rivais infelizmente não é nenhuma novidade. Há nove anos, no dia 1º de maio de 2011, durante outra batalha pelas ruas do bairro, as cenas de selvageria e irracionalidade se estenderam até as dependências de um mercado atacadista, situado às margens da Rodovia Niterói-Manilha, no mesmo bairro. Naquele dia, durante o enfrentamento, que começou por volta das 13h entre torcidas rivais, o saldo foi de 10 feridos a tiros e 102 detidos autuados com base no Estatuto do Torcedor, por crime de lesão corporal.

A exemplo do que ocorreu na tarde da última quinta-feira, dezenas de torcedores se enfrentaram com paus, pedras, barras de ferro, e muitos tiros foram disparados. Também na ocasião, a polícia confirmou que na praça, onde vascaínos e flamenguistas já haviam se enfrentado outras vezes, os primeiros aguardavam ônibus para seguirem ao Estádio Engenhão, onde ocorreria o clássico, quando integrantes de uma organizada rubro-negra invadiu o local iniciando um tumulto generalizado.

Dois homens, que foram identificados como membros de torcida organizada, foram apontados por denúncias de que teriam passado pelo local armados numa motocicleta efetuando disparos contra os rivais durante a briga. Ele foram citados num inquérito instaurado pela 78ª DP (Fonseca).

Em março de 2010, Em outro confronto entre as torcidas de Vasco e Flamengo, um cruzmaltino de 19 anos morreu após baleado por rivais. Na confusão, outros três torcedores ficaram feridos e seis foram presos em São Gonçalo. Segundo levantamento policial, a confusão teve início no bairro de Neves e se estendeu até o bairro vizinho Zé Garoto. No mesmo mês, dias depois do primeiro confronto, um outro ocorreu entre torcedores no bairro Boa Vista, onde um menor de 16 anos foi baleado na cabeça, foi internado em coma e acabou morrendo dias depois.

Em julho, O chefe da torcida Força Jovem do Vasco, de 26 anos, morador de São Gonçalo, foi baleado durante uma emboscada no bairro Camarão, no mesmo município. O carro onde estava a vítima junto com a namorada foi cercado e alvejado por tiros.

Em setembro do mesmo ano, nove integrantes de torcidas organizadas foram presos na Operação Hooligans desencadeada pela Polícia Civil, com base num inquérito instaurado pela Delegacia Legal de Neves (73ª DP) visando reprimir confrontos entre facções de torcedores, que ocorreram em Niterói, São Gonçalo, e Itaboraí. O saldo da selvageria da torcida foi dois mortos. Entre os presos estava um soldado do Batalhão de Choque da PM.

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