Posse ilegal de terrenos impõe terror em moradores da RO

Aline Balbino

Muito bem retratado nos filmes, a convivência num faroeste era difícil. O sistema de poder era sempre à força. Bens eram tomados de seus proprietários e a violência era a forma mais fácil de ação. Quem já viu esses filmes sabe que homens a pé ou a cavalo utilizavam seus revólveres para intimidar a população local. A Região Oceânica está vivendo um medo parecido. Homens armados de pistolas e até escopetas estão tomando posse de terrenos particulares. Eles ameaçam moradores e chegam a cavalo livremente, como se estivessem em fazendas, só que em plena Região Oceânica.

Segundo donos de terrenos, os homens fazem parte de uma organização criminosa especialista nesse tipo de crime. E ai de quem quiser reclamar. Sofre ameaças, inclusive de morte. Um dos donos de um terreno na Rua Osman Correia da Silva, em Itaipu, já acionou a polícia pedindo uma ação mais efetiva com relação ao ocorrido. Os moradores no entorno dos terrenos estão com tanto medo da ação de criminosos e de assaltos, que colocaram câmeras de segurança e aviso aos criminosos de que o local é monitorado, inclusive, pela Polícia Militar.

Crime parecido está acontecendo também em Icaraí. Estelionatários estão vendendo e alugando imóveis sem a autorização do dono, passando-se, inclusive, por corretores de imóveis. Os moradores acreditam que o bando chamado Caubóis da Morte seja o responsável pelos crimes.

“Há 30 anos existe uma quadrilha chamada Caubóis da Morte. Eles invadem terrenos, botam cavalos para disfarçar. Não apareceu o dono, eles muram, fazem posses, vendem. Já mataram muita gente na década de 60. Tem um vizinho com dois terrenos que vai doar porque não tem mais herdeiros. Ele queria doar para a prefeitura com a específica finalidade de construir uma escola para excepcionais da Apae. Mas, ninguém se manifestou. Uma vizinha daqui sempre me avisou. Tenho esse terreno há 47 anos”, disse o procurador do município, Paulo Nei, de 73 anos.

Os criminosos chegaram a cercar a área. Um barraco foi colocado no local para mostrar ocupação. Na manhã de ontem agentes do Serviço de Inteligência da Polícia Militar estiveram no local para destruir as cercas que rodeavam o terreno do procurador. Outros imóveis na Região Oceânica sofrem risco de apropriação.

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