Porta-bandeira do Brasil se despede dos jogos após derrota no judô

Tóquio 2020

Retornando aos Jogos 13 anos após a conquista do bronze em Pequim 2008, Ketleyn Quadros terminou sua participação em Tóquio 2020 na 7ª colocação, após ser derrotada pela holandesa Juul Franssen na repescagem da categoria leve (63kg). A judoca do Distrito Federal lamentou o resultado, mas comemorou a jornada até a competição.

“É muito difícil avaliar o que faltou. O que me deixa contente é que eu dei o meu melhor, me preparei muito. Foram muitos obstáculos para chegar até aqui. Tive os meus melhores resultados, vim para Tóquio com condição de medalha e isso me deixa feliz. E numa competição de alto rendimento o detalhe faz a diferença e esse detalhe não foi ao meu favor. Não dá para avaliar o que faltou, mas dá para avaliar uma jornada gigantesca de muitas conquistas e eu tenho muito orgulho da minha caminhada”, disse Ketleyn, que foi porta-bandeira do Time Brasil na Cerimônia de Abertura.

Ela estreou com vitória por fusen-gachi, o W.O. do judô. Sua primeira adversária, Cergia David, de Honduras, foi hospitalizada na véspera da luta por problemas intestinais e não apareceu para a pesagem da competição, ficando impedida de lutar. Nas oitavas-de-final, a brasileira fez um combate difícil com a mongol Ganchaik Bold e projetou a adversária duas vezes, ambas valendo waza-ari, para avançar na chave. Em seguida, Ketleyn encarou a canadense Catherine Beauchemin-Pinard. Em um combate muito disputado, Ketleyn acabou sendo projetada e imobilizada na sequência, o que deu a vitória à Pinard. A derrota para Franssen, que perdeu nas quartas para a pentacampeã mundial, Clarisse Agbegnenou, da França, também foi no osae-komi.

No masculino, o Brasil foi representado pelo meio-médio Eduardo Yudy Santos, que teve uma primeira luta complicada com o campeão mundial e número dois do ranking, Sagi Muki, de Israel. Yudy começou bem, com golpes de perna que desequilibraram Muki. No entanto, o israelense encaixou o golpe perfeito e venceu o combate.

“Infelizmente não consegui fazer o que eu queria fazer. Deixei muito ele fazer o jogo dele, na verdade. Eu estava muito preocupado com o jogo dele e acabei ficando muito defensivo”, explicou o brasileiro ao deixar o tatame em sua primeira participação olímpica. “Só tenho que agradecer mesmo. Fico muito feliz com essa jornada para chegar aqui, mas na questão de resultado, de competição, tenho muitas coisas para corrigir. Primeiro, preciso errar menos. Meu ataque é forte. Então, tenho que colocar o adversário para se preocupar. Depois a parte física. Viemos num ritmo de competição muito forte e ficou um pouco difícil na questão de periodização. Estou triste pelo resultado, mas sou grato por tudo que aconteceu comigo até chegar aqui”.

Nesta quarta-feira, a partir das 11h do Japão (terça-feira, 23h no Brasil), o judô brasileiro será representado por Maria Portela (70kg) e Rafael Macedo (90kg). A modalidade conquistou bronze com Daniel Cargnin (66kg), no último domingo, mantendo uma tradição de medalhas que vem desde Los Angeles 1984.

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