Por patrulhamento, moradores pagam até por conserto de viaturas em Niterói

Wellington Serrano –

Movido pela esperança de “ajudar o bairro”, um mecânico que preferiu não ser identificado, recebeu em sua oficina, na Região Oceânica de Niterói, uma viatura da Polícia Militar que patrulha o bairro. O veículo precisava de pneus novos e o serviço é a especialidade do estabelecimento, que já sofreu com assaltos de bandidos que fizeram roubos em série pelas ruas.

“A polícia tinha de ter como consertar porque a gente paga imposto para isso. Mas se todo mundo cruzar os braços nada vai para frente”, lamenta o mecânico.

A doação dos pneus foi mais uma tentativa proposta pelos moradores através da Associação dos Amigos e Moradores do Engenho do Mato (AAMEM) e do grupo Região Oceânica Unidas (ROU).

Segundo a presidente Simone Siqueira, além de pneus novos para todas as viaturas com direito à cambagem e balanceamento, também foi comprado um para-brisa para uma viatura que estava totalmente danificada.

“Além do conserto do motor de uma Blazer do DPO do Cafubá, também compramos cafeteiras para todos os DPOs (exceto para o de Várzeas que tem) material de limpeza geral, vassouras, cadeiras, mesa nova com cadeiras para o DPO de Camboinhas, que estava precário e fogão novo na caixa para o DPO de Piratininga”, afirmou a presidente.

O cenário se torna mais preocupante em meio ao aumento da violência o governado do estado Luiz Fernando Pezão (MDB) fazer, num intervalo de três anos, o maior corte do país em gastos com segurança pública em valores absolutos: R$ 888 milhões, já atualizados pela inflação, uma queda de 9%.

Segundo a administradora do grupo ROU, Martha Genofre Siede, na Região Oceânica, atualmente é comum que moradores banquem consertos de veículos, como troca de embreagem e bateria. “A gente não deixa viatura quebrada. Mando consertar até as mais velhinhas”, contou.
Na Avenida Central, por exemplo, no bairro Engenho do Mato, onde os muros altos encobrem as fachadas de casas de luxo, há seguranças particulares, cercas elétricas e câmeras apontando para todos os lados, mesmo assim, a Polícia Militar patrulha a área três vezes por dia. A proximidade com as favelas do Arvoral e Cantagalo, dizem os moradores, faz com que a via sirva de rota de fuga para assaltantes que passam, em duplas, de moto.

Em uma planilha com os crimes da região, no entanto, o novo delegado da 81ª DP (Itaipu) Renato Mariano aponta a situação melhor do bairro. “Após ajuda dos moradores, nossas ações e o apoio ao trabalho realizado pelos comandos policiais da área tivemos uma boa redução da violência”, comemora o delegado.

Um morador que não quis se identificar diz que chegou a pagar a um encanador para arrumar o sistema hidráulico da sede da 5ª Companhia do 12º Batalhão. O comandante do 12º BPM (Niterói), tenente-coronel Márcio Guimarães, disse que tem boas parcerias com as prefeituras de Niterói e Maricá e a sociedade civil organizada quanto aos serviços voluntariados. “É fundamental essa ajuda da população”, disse o comandante.

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