Por conta de cortes, UFF pode parar em julho

A Universidade Federal Fluminense (UFF) pode interromper o funcionamento já a partir de julho por causa do corte orçamentário de 30% determinado pelo Ministério da Educação. A declaração foi feita durante audiência pública, ontem, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Além da UFF quem também pode interromper as atividades em menos de dois meses é a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Na quinta-feira, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF (Sintuff) também está programando um dia de paralisação em apoio ao movimento nacional “Em defesa da educação pública e do emprego”, organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A demanda da UFF é de R$ 16,6 milhões por mês para pagar suas despesas, mas o financeiro só tem liberado cerca de R$ 7 milhões. Jailton Gonçalves, pró-reitor de planejamento da UFF, disse que já havia um planejamento em torno das reduções contratuais, principalmente de mão de obra terceirizada, e que após o anúncio de contingenciamento poderá haver a paralisação das atividades no segundo semestre.

“Sofremos um impacto econômico muito grande e precisamos de mais de R$ 16 milhões por mês de recursos para manter nossos estudantes nas atividades acadêmicas, bem como arcar com a manutenção de restaurantes e transportes para os alunos. No fim do ano passado, depois de uma análise em nossos contratos, conseguimos reduzir os terceirizados, como profissionais da área da limpeza, gerando demissões. Os valores referentes a contas de luz e bolsas ultrapassam os R$ 4 milhões. Após esse corte, fica impossível funcionar após o mês de julho”, enfatizou o pró-reitor da UFF.

A estudante Naiara Jayme, de 18 anos, faz pré-vestibular na UFF e sonha em ingressar na faculdade federal. “Eu tenho medo do que pode acontecer. Achei muito errado e desnecessário reduzir investimento em educação. Isso não pode ser prioridade e se tiver que reduzir alguma verba que seja a dos salários dos políticos e nunca da educação. A faculdade já está em situação precária, não temos o básico, como papel higiênico no banheiro, e ainda querem cortar mais a verba? Isso é incabível”, esbravejou a jovem.
As próximas audiências foram marcadas para os dias 6 de junho, na UFF, e 13 de junho na UFRJ, na unidade da Praia Vermelha, na Urca, Zona Sul do Rio.

TRABALHADORES DA UFF
Nesta quinta-feira está agendada uma grande mobilização em todo o país contra os cortes da educação anunciado pelo Ministério da Educação, no mês passado, contra a Reforma da Previdência e também pelas condições de trabalho dos funcionários da UFF. O grupo quer a defesa das 30 horas de trabalho, a retirada do cadastro biométrico, melhores condições de trabalho e a abertura de uma mesa de negociação entre funcionários e diretoria da universidade. De acordo com Bernarda Ferreira, coordenadora do Sintuff, a implantação do cadastro biométrico é um retrocesso já que, por exemplo, não emite comprovante para o funcionário.

“O custo da manutenção é alto e não temos resolvida a nossa pauta do horário de trabalho dos servidores, que trabalham mais de 30 horas por semana”, pontuou.

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