População de rua sonha com mais oportunidades

Após depoimento emocionante de José Gomes da Costa, de 77 anos, que passa dia e noite nas ruas de Niterói, e tem o sonho de ter sua certidão de nascimento, A TRIBUNA voltou para as ruas para ouvir mais histórias. Silvano Afonso Morais, de 62 anos, tem o mesmo desejo de José e quer reaver seus documentos e conseguir voltar a trabalhar com marcenaria. A Prefeitura de Niterói informou que esse é um procedimento que pode ser feito nas unidades de acolhimento, onde as pessoas recebem atendimento de assistentes sociais, psicólogos e orientação jurídica, encaminhamento para retirada de documentos, além de serviços de saúde, trabalho e renda.

Mas essa simples ida ao Centro Pop, que fica na Rua Coronel Gomes Machado, 259 no Centro da cidade, não é algo fácil para quem está em situação de vulnerabilidade social, morando na rua e muitas vezes usando de químicas para conseguir passar dia após dia.
Silvano nasceu no dia 2 de agosto de 1958 e tem vontade de ter seus documentos novamente. Ele morava no bairro Paraíso, em São Gonçalo, e viu sua vida mudar após uma árvore cair e destruir sua casa.

“A árvore acabou com minha casa, junto com isso eu me separei e também o tráfico de drogas me incomodava na região onde morava. Eu também perdi minha produção na minha oficina de marcenaria. Eu fazia móveis lindos e trabalhei para grandes empresas. Acabei vindo morar na rua e meu sonho era conseguir voltar a trabalhar na minha profissão”, explicou.

O marceneiro também foi professor de religião e é na sua fé que ele se apega para passar os dias na rua. Ele mora há seis anos na rua, especificamente no Centro de Niterói, nas esquinas das Ruas Visconde de Itaboraí com São João.

“Eu durmo e acordo com Deus. Eu oro todos os dias para Deus e ele é onipotente, onipresente e onisciente e eu não preciso pedir nada para ele que ele me dá. Eu gostaria de ter meus documentos, que foram embora quando eu perdi minha casa e é uma dificuldade grande para conseguir essa emissão”, completou.

A Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária (SMASES) informou que trabalha na perspectiva do acolhimento das pessoas nos equipamentos da prefeitura e, por isso, não distribui roupas e cobertores para quem está na rua. A SMASES recebe doação de roupas em bom estado de uso que são ofertadas aos usuários dos equipamentos.

Rede de acolhimento

Niterói possui uma rede de atendimento para população em situação de rua que conta com equipes de abordagem social especializada, Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) e cinco unidades de acolhimento (abrigos):Casa de Acolhimento Florestan Fernandes, que oferece 50 vagas para homens adultos; o Centro de Acolhimento Lélia Gonzalez, com 50 vagas para mulheres e famílias; o Centro de Acolhimento Arthur Bispo do Rosário, com 30 vagas para homens adultos; a Casa de Acolhimento para meninas Lisaura Ruas (20 vagas para meninas de 6 a 17 anos e meninos de 6 a 11 anos); e Centro de acolhimento para meninos Paulo Freire (20 vagas para meninos de 12 até 17 anos).

A SMASES informou ainda que ampliou as vagas em acolhimento com a contratação de hospedagem em hotel – aumento de 60% das vagas. Os hotéis e centros de acolhimento têm, juntos, 190 vagas para pessoas em situação de rua. O projeto de acolhimento emergencial em Hotel Popular, desde a sua contratação em abril de 2020, já atendeu 687 pessoas em situação de rua. A SMASES vem intensificando ações de abordagem social especializada, de forma ininterrupta, priorizando os bairros com maior demanda. A oferta dos serviços de acolhimento institucional não garante que a população em situação de rua aceite ser acolhida. A secretaria não atua de forma compulsória, conforme determina a legislação brasileira, mas na perspectiva de garantia de direitos, de forma que a adesão aos serviços ofertados deve se dar de forma voluntária.

Raquel Morais e Gabriel Gontijo

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