População condena ‘funcionários fantasmas’ em colégio de SG

Wellington Serrano

Um dia após matéria de A TRIBUNA revelar a existência de 57 funcionários fantasmas na Escola Municipal Ernani Farias, em Neves, moradores, estudantes e os próprios professores condenaram os servidores lotados como inspetores, que recebiam R$ 933 por mês de salário no governo anterior, sem trabalhar. A descoberta foi feita pelo atual secretário de Educação, Diego São Paio, após ampla auditoria e investigação.

“É de se lamentar que em um momento de crise em que vivemos, vejamos que a corrupção com o dinheiro público acontecia dessa forma, ainda mais com investimento na educação, que é o nosso presente e futuro. Estamos trabalhando para mudar de verdade esse cenário e fico muito feliz de poder apresentar nossas metas e resultados aos parlamentares e à população”, enfatiza Diego.

O estudante do segundo ano, Roberto de Jesus Pereira, de 18 anos, não acreditou na situação. “Um absurdo isso. Entendi, mas ao que tudo indica vai acabar em pizza. Será que São Gonçalo está sendo organizada mesmo? Quero ver tudo esclarecido, mas já vi que não é possível localizar ninguém, né?”, indagou o estudante.

Na porta da escola, a equipe de reportagem conversou com funcionários, professores e alunos, que desconheciam o fato. “Duro é saber que uma pessoa tem conhecimento do uso do seu nome neste esquema e continuar se sujeitando a isso, pois não mora na cidade”, lamentou uma cozinheira da escola que não quis se identificar.

O inspetor Edgar Alves, que trabalha há 32 anos na escola, disse que nunca viu os nomeados por lá e endossa o coro dos que se revoltam com a corrupção na cidade. “Faça sol ou faça chuva estou sempre aqui na minha função ajudando e nunca vi ou ouvi essas pessoas por aqui”, lamentou o porteiro.

Maria Inês Santana mora perto da escola e tem filho que estuda lá. Ao saber do problema elogiou a ação do secretário de Educação. “Trabalho sério a gente vê assim. Sabia que o Diego São Paio logo mostraria serviço logo. Acredito nele e na educação de São Gonçalo e acho que agora vai”, comemorou.

Pega de surpresa com a informação, a diretora-geral da escola, Silvia Fernandes, estranhou a descoberta e não quis falar sobre o assunto. Ao ser perguntada se sabia de algo a diretora se esquivou: “Se ele (secretário de Educação) está dizendo isso tem que falar com ele, né?”. Segundo ela, a folha da escola está justinha. “Não tem nada de fantasma aqui”, desconversou.

Diego São Paio explicou dados da carência de funcionários na Câmara dos Vereadores. Segundo ele, dos quatro mil concursados, 978 estão desviados de sua função de origem. “Uma realocação vai contribuir com aumento de profissionais nas escolas. Dos 4.103 concursados que integram a rede municipal de educação de São Gonçalo, quase mil não cumprem a função para a qual foram convocados”, explicou.

Segundo o relatório, a área de maior carência está nos professores da categoria “DOC 2”, que lecionam para a Educação Infantil e para o 1º segmento do Ensino Fundamental. Neste grupo, dos 2.159 profissionais, 728 estão desviados de suas funções, atuando como secretários ou em turmas para as quais não estão capacitados.

De acordo com São Paio, identificar os desviados vai colaborar com o aumento de profissionais da rede e a distribuição adequada dos funcionários. “Em uma das reuniões entre o Ministério Público e o Sepe, o prefeito José Luiz Nanci reforçou essa necessidade de recuperarmos os profissionais desviados. Com base nesses números obtidos no relatório, vamos executar o planejamento de retorno às funções de origem”, explica Diego.

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