Policiais deram versões diferentes sobre tiros disparados no caso João Pedro

Policiais civis, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), que participaram da operação conjunta (com a Polícia Federal), no Complexo do Salgueiro, São Gonçalo, que resultou na morte do adolescente João Pedro Matos Pinto, de 14 anos, no dia 18 de maio, apresentaram versões diferentes relacionadas ao disparos efetuados a partir do helicóptero para o solo durante a ação.

Num primeiro depoimento, três agentes relataram que não teriam efetuado disparos do helicóptero, e num segundo depoimento, ocorrido cerca de uma semana depois do fato, afirmaram que atiraram quase trinta vezes em direção ao solo. Segundo os agentes os tiros teriam sido disparados quando a equipe chegou na localidade, e teria sido supostamente atacada por criminosos em terra. Um dos policiais afirmou ter efetuado pelo menos 15 disparos do helicóptero antes da aeronave pousar.

O policial afirmou ainda que alertou aos operadores que o grupo estava sendo atacado. Os disparos feitos da aeronave também foram citados nos depoimentos do piloto, do copiloto e do delegado que chefiava a Core na ocasião, Sérgio Sahione, que não teria atirado. Os três agentes que prestaram depoimento sobre os disparos feitos do helicóptero foram os mesmo que entraram na residência, onde João Pedro estava. Os policiais alegaram que estariam perseguindo criminosos que teriam invadido o local.

Após a aeronave pousar, os três agentes ainda teriam disparado mais 35 tiros dentro da casa, segundo depoimento na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), um deles atingiu João Pedro. Um dos agentes mudou o depoimento sobre a arma usada nação, que seria um fuzil calibre 7.62, porém num segundo relato afirmou que usou um de calibre 5.56. Anteriormente disse que só havia usado um modelo de arma, quando na verdade usou dois, um quando estava no helicóptero e outro quando estava em terra. Vale lembrar que segundo a perícia, João Pedro teria sido atingido por um tiro de fuzil calibre 5.56.

A Polícia Civil suspendeu por tempo indeterminado a reprodução simulada da ação que resultou na morte do adolescente. A reconstituição estava prevista para acontecer no dia 9 do mês passado, devido a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe ações policiais em comunidades do estado, enquanto forem mantidas medidas de restrição e isolamento social em função das medidas de isolamento.

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