Policiais de Niterói fazem megaoperação contra quadrilha de agiotagem

Uma nova fase da Operação Ábaco foi deflagrada, na manhã desta quinta-feira (16) pela Polícia Civil. As investigações inicialmente desarticularam uma quadrilha de agiotagem que funcionava no Rio de Janeiro. A apuração feita pelos agentes da 76ª DP (Niterói) conseguiu desdobrar agentes em outras partes do país. Além de Niterói, os mandados de prisão foram cumpridos em outros quatro estados.

Até o momento da publicação deste texto, 24 pessoas haviam sido detidas. A ação ocorre simultaneamente nos estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Ceará, Minas Gerais e Espírito Santo, que tem por objetivo cumprir Mandados de Prisão e Busca e Apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal de Niterói. Segundo as investigações, a quadrilha abriu ramificação em outros quatro estados do país e que já chegou a manter 70 escritórios em diversas cidades do Brasil.

Em janeiro, Guilherme Andrade Aguiar, conhecido como Macarrão, de 39 anois, apontado pela polícia como um dos chefes do esquema e dono de um famoso quiosque na Praia de Camboinhas, região nobre de Niterói, foi preso pelos agentes da 76ª DP no centro de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Durante as investigações outros nove integrantes do esquema criminoso foram presos pelos policiais da Delegacia de Niterói, em diferentes cidades do Rio de Janeiro. Três deles possuíam mais de 15 mandados de prisão, cada um.

Policiais da Delegacia de Niterói deflagraram operação – Foto: Reprodução

Além da prática da agiotagem clássica caracterizada pelos empréstimos a juros abusivos, na maioria das vezes superiores a 30% mensais, a organização criminosa também fazia vítimas cobrando dívidas antigas, que foram contraídas com agiotas que integravam o esquema, mas que já tinham sido quitadas. Inusitadamente eles também praticavam extorsões cobrando dívidas fictícias de empréstimos que nunca existiram. Para aterrorizar ainda mais as vítimas os criminosos utilizavam sites de consulta onde obtinham os dados pessoais de parentes e vizinhos, em seguida telefonavam para eles mandando repassar recados ameaçadores às vítimas com a intenção de que o pavor provocado em todos causasse o pagamento das supostas dívidas.

“Modernas técnicas investigação desenvolvidas pela delegacia de Niterói foram capazes de desvendar toda a logística utilizada pelo bando para tentar se desvencilhar da atuação das polícias, possibilitando assim a identificação dos integrantes do bando. Quebras de sigilo bancário e fiscal de todas as contas que foram identificadas no decorrer das investigações revelaram uma movimentação bancária superior a 70 milhões de reais”, disse o delegado Luís Henrique Marques Pereira, titular da distrital.

A ação contou com um efetivo operacional de mais de 200 agentes e 60 viaturas das unidades que integram o 4º DPA (Niterói, São Gonçalo e Região dos Lagos), 5º DPA (Sul Fluminense e Costa Verde), 7º DPA (Região Serrana), DGPI (Departamento Geral de Polícia do Interior) e do DGPE (Departamento Geral de Polícia Especializada), e conta também com a participação das Polícias Civis dos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina e Ceará, que dão apoio às equipes da Polícia Civil do Rio que também estão naqueles estados cumprindo mandados judiciais.

Considerando que A TRIBUNA não teve acesso aos acusados ou a seus advogados, fica desde já assegurado o espaço para o devido contraditório, caso queiram, e essa reportagem será atualizada quando estes vierem a se manifestar.

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