Polícia quer acabar com a saga dos roubos de carga em São Gonçalo

Com a recente alta em roubos de carga em São Gonçalo, a Polícia Militar respondeu ao avanço da criminalidade intensificando o policiamento. As Rondas Especiais e Controle de Multidões (Recom), que antes tinham atuação restrita às rodovias BR-101, RJ-104 e RJ-106, agora também estão agindo em vias estratégicas do município, onde ocorrem ações de criminosos.

O epicentro dos roubos de carga, segundo os mais recentes registros feitos na polícia, está na região que engloba as comunidades da Coréia e Zumbi, no bairro do Pita. A Rua Mentor Couto, que é uma das principais vias de acesso a essas localidades, também está na nova rota de policiamento da Recom. De acordo com os agentes, o novo cronograma passou a ser adotado no mês de abril, levando em conta a mancha criminal.

Os criminosos geralmente abordam caminhões de entregas que fazem descarga de diversos produtos, na Rua Dr. Pio Borges, onde estão localizados os principais estabelecimentos da região. Dali, os caminhões costumam ser direcionados, pela Mentor Couto, para o interior das comunidades, onde a carga é levada pelos bandidos em vias internas tanto da Coréia, quanto do Zumbi.

A Polícia Civil apura que, atualmente, o roubo de cargas é a atividade mais lucrativa dos criminosos daquela região, liderados, de acordo com informações da própria instituição, por Leilson Ferreira Fernandes, conhecido como “Pivete”. O Portal de Procurados do Disque Denúncia, oferece R$ 1 mil por informações que levem à captura do acusado, que comanda toda a atividade criminosa na região.

‘Roubo de carga é muito lucrativo’

Segundo o professor Ignácio Cano, especialista em segurança pública e membro do Laboratório de Análise da Violência (LAV), a modalidade de roubo de carga vem sendo cada vez mais adotada por organizações criminosas devido à alta lucratividade e não ser necessária uma grande estrutura para que se cometam os crimes.

“Roubo de carga é um crime muito lucrativo e não precisa de tanta infraestrutura quando outros tipos de crimes. Só é necessário conhecer as rotas e pronto. É um crime de alta lucratividade”, explica o professor.

Para Ignácio Cano, o fato de os criminosos conhecerem as rotas dos entregadores faz com que, para evitar a prática, a adoção de rastreamento nos caminhões e nas cargas seja uma solução possível. Além disso, o especialista aponta para a necessidade de investigações aprofundadas sobre crimes de roubo de carga.

“Contra roubo de carga você tem que ter uma investigação da Polícia Civil, porque têm quadrilhas, todo um esquema para distribuir depois o que foi roubado. Em geral, é importante ter investigação e colocar o GPS nos veículos que tem alta probabilidade de serem roubados, para acompanhar e pegar a quadrilha. Inclusive em alguns produtos, é possível colocar o GPS e seguir a carga”, complementou o professor.

Cabe ressaltar que, segundo as investigações, a organização criminosa não tem distinção acerca de preferências sobre qual carga é mais lucrativa. Todo tipo de produto interessa aos bandidos. A Polícia Civil aponta que os itens que são fruto de ações criminosas, são distribuídos em estabelecimentos no interior das comunidades.

‘Rota do Medo’

O aumento de casos faz com que motoristas que trafegam pela localidade tenham medo de assaltos. “Fizeram a abordagem e falaram que só queriam a carga. A sensação não tem nem como descrever, 7 da manhã e ter um revólver apontado para a cara”, disse um trabalhador, de 30 anos, que foi roubado na região, no dia 7 de abril. Na ocorrência, uma carga de medicamentos foi sequestrada por criminosos e levada até a comunidade do Zumbi. Todas as vítimas foram libertadas sem ferimentos.

Números na cidade

De acordo com dados mais recentes divulgados pelo Instituto de Segurança Pública, referentes ao mês de fevereiro deste ano, os indicadores da prática estão no mesmo patamar de 2020, antes da pandemia da Covid-19. Segundo o ISP, a cidade registrou, em fevereiro de 2021, 67 ocorrências de roubo de carga, contra 68 casos no mesmo mês, no ano passado. Ou seja, apresentou uma oscilação de 1,5% para baixo.

Vítor d’Avila

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