Polícia ouve depoimentos sobre denúncia de racismo em churrascaria

A Polícia Civil começará, ainda nesta semana, a ouvir depoimentos sobre a denúncia de racismo, que teria ocorrido na última quarta-feira (9), na churrascaria Mocellin, em São Francisco, Zona Sul de Niterói. Os envolvidos no caos já foram identificados, inclusive a mulher que teria proferido as ofensas de cunho racial.

O caso está sendo apurado pela 79ª DP (Jurujuba). Segundo fontes ligadas à investigação, as imagens de câmeras de segurança do local que flagraram o acontecimento foram requisitadas no mesmo dia do crime e chegaram á delegacia ontem para serem analisadas.

Além disso, a suspeita de ter cometido as ofensas registrou um boletim de ocorrência, narrando sua versão da situação, na 77ª DP (Icaraí). Segundo informações da investigação, este procedimento correrá paralelamente à investigação da distrital de Jurujuba sobre o ocorrido na churrascaria.

‘Não desejo que meu filho passe por isso’

Clamor por justiça e desejo para que o filho não sofra pelo mesmo motivo. Esta é a mistura de sentimentos que passam pela mente da mulher de 43 anos que alega ter sido vítima de racismo. Em conversa com a reportagem de A TRIBUNA ela falou sobre as sequelas físicas e psicológicas pelas quais tem passado, nos últimos dias.

“Eu espero que meu filho não passe pelo que eu passei. O sofrimento continua. Essa agressão a troco de nada, por causa de uma cor de pele. Porque meu filho tem a mesma cor que eu. Ele ainda não tem essa percepção, não diferencia as pessoas por cor. Espero que ele não seja chamado de ‘macaco’ ou algo que o inferiorize pela cor da pele, porque somos todos iguais. Temos que passar uma educação positiva aos nossos filhos”, disse.

Estabelecimento é dotado de circuito de câmeras de segurança – Foto: Vítor d’Avila

A vítima deu detalhes sobre os momentos que antecederam as agressões. Ela afirma que estava na brinquedoteca com o filho. No espaço, também brincavam outras crianças, na faixa etária dos dez anos. De acordo com relato feito pela mulher, ela pediu para que as crianças tomassem cuidado com seu filho, sempre mantendo o tom de voz calmo. Contudo, uma menina teria insistido em implicar com o menino.

“Esse espaço era para crianças pequenas, não para crianças maiores frequentarem. E esses maiores estavam agredindo meu filho. A única coisa que eu pedi, de forma bem calma, é para tomarem cuidado porque ele tem só dois aninhos. Essa criança que é filha dessa agressora já tinha chamado meu filho de chato, tentado fazê-lo cair. Acho um absurdo ter que tirar nosso filho de um ambiente porque tem crianças agredindo ele”, relatou

Esposo relata momentos de pânico

Essa menina teria ido se queixar à mãe dela, que foi ao local e teria feito os xingamentos de cunho racista, tais como “piranha” e “macaca”. A mãe do menino, se sentindo ofendida, teria desferido um tapa na autora das ofensas. Neste momento, acompanhantes da suspeita se aproximaram e iniciaram uma série de agressões físicas. O esposo da vítima relatou à reportagem de A TRIBUNA os momentos de pânico.

“A menina saiu, falou algo para a mãe, que acusou minha esposa de ter agredido a filha dela e chamando minha esposa de ‘macaca, piranha, safada, que não deveria nem estar ali’, essas agressões. Depois de pedir para a mulher se acalmar, [minha esposa] acabou dando um tapa nela. Começou uma briga entre mulheres. Quando a briga começou, eles acompanhantes da agressora] levantaram correndo e foram na direção da brinquedoteca. Só que ao invés de apartar, elas foram agredir minha esposa, inclusive homens”, recordou.

Estabelecimento não se pronuncia

Desde o último sábado, a reportagem de A TRIBUNA tenta entrar em contato com o Mocellin, por telefone e e-mail, sem sucesso. Na manhã de ontem, a equipe foi ao estabelecimento, onde foi informada que “não havia nenhum responsável que pudesse se pronunciar”, por funcionários que não quiseram se identificar.

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