Polícia investiga possível retaliação do tráfico à obra da Prefeitura de Niterói

A Delegacia de Itaipu (81ª DP) apura a informação sobre um ataque de criminosos na semana passada em retaliação ao não pagamento por parte da Prefeitura de Niterói de uma taxa para obter uma “permissão” para realizar obras de melhorias na localidade do Goiabão, em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói. De acordo com a denúncia, os criminosos chegaram a atear fogo em uma retroescavadeira. Acionados por populares, os policiais realizaram buscas no local, porém os autores não foram encontrados. Moradores temem que a ordem do ataque possa ter partido de João Carlos Diano Marques, o João Coroa, líder da comunidade do Pau Roxo, que fica próxima à obra na antiga Rua 34, esquina com a Rua 27. Segundo informações a serem confirmadas pela polícia, os criminosos estariam exigindo a quantia de R$ 100 mil de entrada e mais R$ 8 mil por semana para “liberar” a fluidez do projeto. A Prefeitura de Niterói nega a denúncia e afirma através da Secretaria Municipal de Obras que os trabalhos seguem normalmente, com pequenas pausas apenas nos dias de chuva.

De acordo com informações, sob as ordens de João Coroa, em janeiro de 2018 um grupo local metralhou com 10 tiros o portão de uma distribuidora de gás na Avenida Central por conta da recusa da empresa em pagar a taxa de R$ 3 mil para poder revender o produto na área sem problemas. A ordem também incluía o sequestro e ameaças a funcionários da empresa caso os botijões continuassem a ser entregues nas residências. A empresa suspendeu então as suas vendas. A Polícia Militar afirmou na época ter prendido dois integrantes do bando envolvidos no roubo de um caminhão de entrega da empresa.

João Carlos Marques, o João Coroa, atualmente com 49 anos, foi preso em 2012, no bairro de Itaúna, em São Gonçalo, após interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. Contra ele havia dois mandados de prisão pelos crimes de homicídio e tráfico de drogas. Ele era apontado por envolvimento em pelo menos dez assassinatos. Hoje ele permanece no presídio Gabriel Ferreira de Castilho, no Complexo de Bangu, Rio.

O acusado foi capturado na Rodovia Niterói-Manilha, quando retornava de Cabo Frio, na Região dos Lagos. Na ocasião, entre as investigações, a polícia apurava o envolvimento de João Coroa em um duplo assassinato, em que uma mulher (grávida) e seu marido foram mortos. Todos os acusados, de acordo com os policiais responsáveis pelo caso, eram ligados à facção que atuava na Região Oceânica e dominava o tráfico em vários bairros.

Em abril de 2013, a sua então companheira, Juliana Maria Ferreira, então com 28 anos, foi presa em casa, no Engenho do Mato. Apesar de João estar preso na época, a mulher servia como um canal de comunicação do traficante com os seus subordinados. Atualmente Juliana se encontra no regime aberto.

De acordo com o Comandante do 12º BPM (Niterói), coronel Sylvio Guerra, o patrulhamento no local foi reforçado.

“A informação que tivemos foi sobre na semana passada terem ateado fogo em uma retroescavadeira. Foi falado sobre traficantes terem praticado o ato, mas nós ainda não sabemos se isso foi verdade. Estamos apurando. O que fizemos foi intensificar o patrulhamento no local para garantir a realização da obra por parte da prefeitura”, declarou Guerra.

Em nota, a Prefeitura de Niterói informou que a Rua João Cabete (antiga Rua 34), onde o equipamento foi incendiado, está incluída na obra de urbanização dos bairros Serra Grande e Maravista. No momento, está sendo realizada na via a implantação da rede de drenagem.

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