Polícia investiga intimidações de traficantes em Maria Paula

O Serviço de Inteligência (P-2) do 12º Batalhão (Niterói) foi acionado na tarde de terça-feira (10) para a verificação de uma denúncia em que era relatada uma intimidação feita por parte de criminosos a moradores do bairro de Maria Paula. De acordo com as informações, traficantes teriam dado ordens para que as compras de gás de cozinha fossem realizadas em um depósito clandestino.

No endereço do suposto depósito, na Estrada de Matapaca, a equipe foi recebida por um homem e em buscas pelo local foram encontrados oito botijões de 13 kg e dois botijões de 45 kg. O homem encontrado no endereço foi ouvido na 79ª DP (Jurujuba) e liberado. O caso foi registrado na unidade civil.

No início deste ano, em 9 de janeiro, moradores da Ilha da Conceição, na Zona Norte da cidade, relataram sobre estarem sendo covardemente prejudicados com a proibição da venda de gás para a comunidade por parte de criminosos do MIC. Os problemas se prolongavam desde o ano passado e marginais, muitos deles vindos do Rio, estavam por trás das ordens impostas, de acordo com os moradores. Também foi informada na ocasião sobre a interrupção no fornecimento de serviços de internet. O motivo eram criminosos que atuavam na comunidade do MIC estariam impedindo técnicos de empresas especializadas de realizarem reparos ou instalações na região.

Um trabalho de repressão à criminalidade na Ilha da Conceição foi realizado próximo as principais entradas e saídas da cidade. Em uma das ocorrências registradas, após trabalho de investigação da 76ª DP (Centro), policiais civis prenderam um homem apontado como gerente da venda de drogas na comunidade do MIC. Com ele foi apreendida uma pistola, munições e drogas.

Problemas semelhantes também foram enfrentados em 2019 por moradores do bairro de Jurujuba, na Zona Sul, que acabaram resultando em duas fases da Operação Escotilha, deflagrada pela 79ª DP, que terminou com mais de 20 presos. De acordo com as denúncias, os criminosos também ameaçaram representantes de operadoras de telefonia e de informática, tentando taxar a realização de serviços essenciais para a população, também como gás e eletricidade. As ordens para a taxação, ameaças e até agressão a moradores partiam de uma liderança do tráfico, de dentro de um presídio. Um dos bandidos acusados de envolvimento com o grupo, que segundo a polícia era do Morro do Preventório, em Charitas, era Gabriel dos Santos Soares, de 22 anos, conhecido como Mata Rindo, um dos bandidos mais procurados de Niterói. Ele morreu em confronto com a polícia.

No ano anterior, em janeiro de 2018, de acordo com informações, sob às ordens de João Coroa, em Itaipu, um grupo local metralhou com 10 tiros o portão de uma distribuidora de gás na Avenida Central por conta da recusa da empresa em pagar a taxa de R$ 3 mil para poder revender o produto na área sem problemas. A ordem também incluía o sequestro e ameaças a funcionários da empresa caso os botijões continuassem a ser entregues nas residências. A empresa suspendeu então as suas vendas. A Polícia Militar afirmou na época ter prendido dois integrantes do bando envolvidos no roubo de um caminhão de entrega da empresa.

João Carlos Marques, o João Coroa, foi preso em 2012, no bairro de Itaúna, após interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. Contra ele havia dois mandados de prisão pelos crimes de homicídio e tráfico de entorpecentes. Ele era apontado por envolvimento em pelo menos dez assassinatos. Hoje ele permanece no presídio Gabriel Ferreira de Castilho, no Complexo de Bangu, Rio. O acusado foi capturado na Rodovia Niterói-Manilha, quando retornava de Cabo Frio, na Região dos Lagos.

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