Polícia e MP realizam operação contra prostituição infantil

Cerca de 24 horas após agentes do Ministério Público (MP) e da Polícia Civil desarticularem a quadrilha que dominava a contravenção em São Gonçalo, na manhã desta terça-feira (14) foi a vez de agentes da Corregedoria Interna (Coinpol) desativarem outro esquema: o de exploração de casas de prostituição. Junto com a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança e o Ministério Público os agentes combateram a facilitação para prostituição de menores de 18 anos, nas cidades de São Gonçalo e Maricá. Ao todo foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva, e dez de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Criminal de São Gonçalo, inclusive contra o ex-policial civil Alzemar da Conceição dos Anjos, apontado como líder e coordenador de tarefas em pelo menos três casas de prostituições, que funcionavam nas duas cidades.

De acordo com a polícia, Alzemar cuidava de todo o funcionamento da atividade ilícita, fazendo contratações, controlando a parte financeira, determinando as funções dos demais denunciados, cuidando dos pagamentos dos salários, de comissões, e da compra de bens de consumo dos estabelecimentos. Além do ex-policial civil, preso no bairro Trindade, os agentes ainda prenderam Jacqueline Nascimento de Almeida Santos, também suspeita de comandar e integrar a quadrilha que exploraria a prostituição infantil. Alzemar havia sido expulso da Polícia Civil, justamente por envolvimento em num esquema de exploração infantil. Durante as investigações, a polícia descobriu que menores de idade eram prostituídas porque os suspeitos se referiam a essas adolescentes como “sapatinhos pequenos”.

Ainda na manhã de ontem estava sendo checada denúncias de que mulheres estariam sendo mantidas em cárcere privado. Ao longo do trabalho investigativo, foi apurado que a quadrilha aliciava menores carentes da região e as levava para trabalhar nos locais, com higiene precária. Numa termas, situada às margens da Rodovia Amaral Peixoto (RJ-104), no bairro de Marambaia, os agentes – ao checarem se havia menores entre pessoas que dormiam no local – foi encontrado um recibo de aluguel do espaço em nome de Alzemar, o que comprovou que ele comandava o esquema.

Menores e mulheres eram obrigadas a se prostituirem e até eram ameaçadas caso quisessem sair das casas. Uma termas (Terraço 53) foi fechada em Maricá, e em um pontos visitados pela polícia foi encontrado avisos de intimidação. “Cada nojenta é responsável pela limpeza e higiene do seu quarto”, diz um trecho do aviso, escrito com caneta em um pedaço de papel e colado na parede. Também foi encontrado em uma das casas uma pequena central de monitoramento, onde eles controlavam quem entrava e quem saía. Através de escutas telefônicas, com autorização da Justiça, os investigadores descobriram que os denunciados sabiam e permitiam que jovens menores de 18 anos se prostituíssem nos estabelecimentos. De acordo com a denúncia do MP, em algumas ocasiões Alzemar foi flagrado alertando seus subordinados sobre a presença de policiais da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) perto de suas casas de prostituição.

O ex-policial, então, orientava seus cúmplices a retirar as menores dos locais. Ainda de acordo com a denúncia, a organização criminosa utilizava armas de fogo como forma de intimidação contra todos que fossem considerados ameaça à sua existência. Entre os denunciados, José Goulart Feijó Maia, o Dinho, era considerado o braço direito de Alzemar. Ele era o “faz tudo” da organização, responsável pelo transporte das garotas de programa para as casas de prostituição, remanejamento delas entre os locais.

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