Milícia estaria ligada à chacina e mortes de vereador, do filho, e de jornalistas

A Secretaria de Estado de Polícia Civil (SEPOL), por meio da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MPRJ, realiza, nesta sexta-feira (20/12), operação que tem como objetivo o cumprimento de 39 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a uma milícia que atua em Maricá.

O que haveria em comum entre as ocorrências de uma chacina de cinco jovens, num condomínio do Minha Casa Minha Vida, no ano passado, duplo homicídio de um vereador e seu filho (advogado), além dos assassinatos de dois jornalistas no mesmo período ? Para a Delegacia de Homicídios de niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) é que esses estariam interligados, de alguma forma com a atuação de um grupo miliciano que atua na cidade de Maricá.

Para esclarecer os fatos e prender os envolvidos, a DHNSG, DH-Capital, e DH-Baixada – com a apoio do Ministério Público (MP) e Grupo de Apoio a Promotoria (Gaeco) – desencadearam, na manhã de sexta-feira (20) uma grande operação, com objetivo de cumprir 28 Mandados de Busca e Apreensão nos municípios de Maricá, Rio, São Gonçalo e Baixada Fluminense, e assim desarticular o esquema do grupo paramilitar. Pelo menos seis endereços estariam ligados a cinco policiais militares e um agente da Polícia Civil foram visitados pela polícia que se subdividiu em cerca de 40 viaturas e diversas equipes. Agentes das corregedorias das polícias Civil e militar também ideram suporte na operação.

Os alvos, de acordo com a Polícia Civil são suspeitos de envolvimento nas mortes dos jornalistas Robson Giorno, dono do Jornal O Maricá, e Romário Barros, do porta de Notícias Lei Seca de Maricá, além do verador Ismael Breve e seu filho, o advogado, Thiago Marins. O mesmo grupo também teve participação de na chacina, em 2018, de cinco jovens, dentro do conjunto residencial Minha Casa Minha Vida, em Itaipuaçu, distrito de Maricá. A DHNSG apenas informou que grande quantidade de documentos, além de computadores, aparelhos celulares, além de um fuzil, foram apreendidos durante a ação em diversos pontos do estado. Afirmando que tinha grande quantidade de documentos apreendidos para analisar, a titular da especializada, que coordenou a operação, delegada Bárbara Lomba, cancelou uma entrevista coletiva que daria, no fim da manhã de sexta-feira, na sede da DH.

No cruzamento de informações obtidas ao longo dos inquéritos, a polícia apurou que pelo menos quatro suspeitos estariam envolvidos na morte de Robson Giorno, e que uma organização criminosa atuava na cidade de Maricá, praticando outros crimes, como extorsão a moradores e comerciantes. Na apuração desse crime e da chacina dos cinco jovens, a polícia encontrou indícios de ligação entre os fatos e atuação do grupo miliciano. Durante a apuração da morte de Róbson Giorno, foi encontrado similaridade com outros crimes ligados à atividade político-partidária e jornalística, na medida em que os suspeitos e a forma de execução se assemelharam em relação ao também jornalista Romário Barros, do vereador Ismael Breve e de seu filho, Thiago Marins.

Numa operação anterior, em abril do ano passado, quando era investigada a chacina, a polícia havia prendido João Paulo Firmino, integrante da milícia chefiada por Wainer Teixeira Junior, sargento PM, conhecido do “W”. Os agantes verificaram, através de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, que a organização criminosa também era voltada para a prática dos chamados “homicídios por encomenda”, “justiçamento”, extorsões, imposição como vendedor único de determinados bens, vinculação com agentes públicos e coação de testemunhas.

Cronologia

Março de 2018

Na madrugada do dia 24 de março, cinco jovens foram executados dentro do Condomínio Carlos Mariguella, construído com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, em Itaipuaçu, distrito de Maricá. As vítimas foram identificadas como Sávio de Oliveira Vitipó, de 19 anos, Mateus Bitencourt da Silva, 18 anos, Patrick da Silva Diniz, Matheus Barauna dos Santos e Marcus Jonathas. Segundo a polícia, eles chegaram de um show de rap no centro de Maricá, quando foram rendidos e executados com tiros a curta distância. No mês de abril o Ministério Público decretou a prisão preventiva de João Paulo Firmino, acusado de ser o executor de cinco jovens. A decisão foi proferida pela Vara Criminal de Maricá, um dia após o MPRJ oferecer denúncia contra Firmino, que seria ligado ao grupo miliciano.

Maio de 2019

O jornalista Robson Giorno foi baleado e morto, quando deixava sua residência, no bairro Boqueirão, em Maricá, no dia 25 de março. Robson Giorno era dono do jornal O Maricá e, segundo sua página pessoal em uma rede social, pretendia se candidatar a prefeito nas eleições municipais de 2020. Ele era filiado ao partido Avante. Na ocasião, várias entidades ligadas à categoria, entre elas a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo se pronunciaram e exigiram apuração rigorosa dos fatos e prisão dos responsáveis.

Junho de 2019

O jornalista Romário da Silva Barros, de 31 anos, do portal de notícias Lei Seca Maricá (LSM), foi morto a tiros, dentro de um carro em Maricá, na noite do dia 18. O crime ocorreu no bairro Araçatiba. Barros foi assassinado com três tiros, sendo o segundo profissional de imprensa assassinado na cidade num internalo de cerca de um mês. Na ocasião, o Disque Denúncia passou a receber informações sobre o crime pelo telefone 2253-1177. O corpo de Romário foi velado em clima de comoção, na Câmara de Vereadores de Maricá.

Agosto de 2019

O vereador Ismael Breve (DEM), de 59 anos, e seu filho, o advogado Thiago Marins, de 31 anos, foram assassinados a tiros dentro da residência da família, na madrugada do dia 22 de agosto desse ano. Segundo a Polícia Militar, o crime aconteceu por volta das 4 horas da manhã, no bairro Zacarias. Ainda de acordo com a PM, a esposa e uma enteada do político também estavam em casa na hora dos assassinatos. A polícia apurou que o crime teria sido cometido por dois homens encapuzados entraram na casa, foram ao quarto do filho, arrombaram a porta e atiraram contra ele. Quando o pai ouviu o baruilho e tentou intervir, também foi alvejado.

A Secretaria de Estado de Polícia Civil (SEPOL), por meio da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MPRJ, realiza, nesta sexta-feira (20/12), operação que tem como objetivo o cumprimento de 39 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a uma milícia que atua em Maricá.

Os mandados são decorrentes de dois inquéritos: a chacina de cinco jovens em um condomínio de Maricá, em 25 de março de 2018, e o assassinato do jornalista Robson Giorno, em 25 de maio deste ano, no mesmo município. O grupo é investigado pelos crimes de homicídio e organização criminosa.

Segundo as investigações da DHNSGI, parte da quadrilha participou diretamente da execução dos jovens e do jornalista, enquanto outros membros integram a organização que explora a milícia na região e têm ligação com os dois crimes. Eles também são investigados pelos assassinatos do jornalista Romário da Silva Barros, em 18 de junho deste ano, e do vereador Ismael Breve e do filho dele, Thiago Marins, dentro de casa, em 22 de agosto. Todos os crimes aconteceram em Maricá.

Também participam da ação as corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar, já que há um policial civil e cinco PMs entre os investigados. A maioria dos mandados é cumprida em Maricá, mas a ação se estende ainda pela capital, São Gonçalo e Baixada Fluminense.

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