Polícia Civil prende casal que liderava milícia em Itaboraí

A Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), prenderam, nessa quinta-feira (23) o casal Carlos Eduardo Cirino Santanna, conhecido como Negão, de 43 anos, e Rosane Moreira da Silva da Conceição, a Tia, 38 anos, acusados de liderarem um grupo miliciano que atua na localidade de Porto das Caixas, em Itaboraí.

Ambos foram presos na Zona Oeste do Rio, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, sendo que Rosane já havia sido presa pelo delegado William Pena Jr., atual titular da Draco. Segundo os agentes, o casal chefia a milícia de Porto das Caixas, e estariam envolvidos em vários casos de homicídios e crimes de tortura. De acordo com os moradores, há muito tempo milicianos e traficantes travam uma violenta disputa pelo controle do território em localidades como Porto das Caixas, Areal, e Visconde de Itaboraí. “Tal prisão tem cunho extremamente relevante no combate às milícias no Rio. A Draco informa que todos aqueles que, direta e indiretamente participem da milícia, serão responsabilizados”, destaca o delegado.

Rosane controla segundo a polícia,  a parte financeira do grupo miliciano, além de ser responsável pelas armas, liderando um grupo de com cerca de sete mulheres que recolhem dinheiro de  comerciantes e moradores, arrecadando em torno de R$ 200 mil por mês. O grupo miliciano, de acordo com denúncias, também explora mototaxistas, sinais clandestinos de internet (o popular gatonet), e de telefonia. A Draco também revelou que o grupo miliciano destina todos os meses de R$ 10 mil a R$ 15 mil para integrantes do bando que encontram-se presos.

A Draco chegou até os líderes da milícia de Itaboraí, através de informações repassadas pelo Disque Denúncia (2253-1177), onde havia recompensa de R$ 1 mil por informações sobre o casal. Carlos Eduardo possuía dois mandados de prisão preventiva contra ele, pelos crimes de homicídio e organização criminosa, enquanto Rosane tinha quatro mandados de prisão contra ela, por organização criminosa, homicídio, e formação de milícia. Ambos ainda respondem pelos crimes de roubo, lesão corporal, e ocultação de cadáver.

Carlos Eduardo havia assumido o controle da milícia em Itaboraí após a prisão do antigo líder da organização, conhecido como Renatinho Problema ser preso. A mãe do criminoso, identificada como Maria do Socorro do Nascimento era responsável pela parte financeira. A polícia detalhou que em uma das sessões de tortura da quadrilha, em outubro de 2018, uma gestante perdeu o bebê quando a vítima e o marido foram espancados na frente de duas filhas.

O motivo era que os milicianos desconfiavam que o casal seria informante de traficantes. A mulher recebeu chutes na barriga e o marido foi agredido com um taco. Como se não bastasse, o casal antes de ser expulso de casa, levando apenas a roupa do corpo, ainda foi obrigado a se ajoelhar e os agressores ainda urinaram sobre as vítimas. A milícia que atua em Itaboraí foi alvo de várias operações deflagradas anteriormente pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), que resultaram em várias prisões e apreensões realizadas.

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