Polícia busca último integrante da quadrilha que forjava laudos médicos

Raquel Morais –

Após quase dez meses de investigações, a Polícia Federal (PF) desarticulou uma quadrilha que falsificava exames de pessoas com doenças crônicas para saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os criminosos aliciavam as vítimas e cobravam 30% do valor total dos depósitos. Quatro pessoas foram presas na Operação Falso Positivo, que iniciou em junho do ano passado, e o último integrante do bando continua foragido. Vários desses saques foram feitos em agências bancárias da Caixa Econômica Federal de Piratininga, São Francisco e Largo do Marrão.

O delegado Bruno Bastos, da Polícia Federal de Niterói, informou que a investigação começou após denúncia de um funcionário da Caixa. Uma mulher teria ido na agência para sacar o valor do FGTS, com um laudo médico prescrito que ela teria o vírus do HIV. No caso de doenças crônicas o benefício pode ser liberado todo mês. “O funcionário percebeu que os documentos estavam ilegais e fez contato conosco. Prendemos essa mulher e a partir daí chegamos às pessoas envolvidas na quadrilha”, explicou. A mulher teria participado da irregularidade pela primeira vez e não conseguiu sacar o valor. “Ela daria 30% do saque para a quadrilha, esse era o valor cobrado por eles”, completou.

Na última sexta-feira (07), quatro dos cinco envolvidos da quadrilha foram presos: Marcelo de Aquino Rosa, Jandra Ribeiro de Souza, Nilson Carvalho da Silva e Adriano Mendes Garcia. Eles falsificavam carimbos de médicos, principalmente infectologistas, assim como atestados em nome da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), por exemplo. A investigação agora continua sendo feita pela PF através de análises de outros saques nessas características, além dos especializados continuarem procurando o quinto e último elemento do grupo. As vítimas podem ser indiciadas por estelionato e os aliciadores por organização criminosa e por estelionato qualificado em detrimento de órgão público.

Em nota, a Caixa informou que a fraude foi identificada pelo próprio banco por meio de mecanismos de controle interno. A instituição encaminhou notícia-crime à PF em novembro do ano passado para fins de investigação. O banco ressaltou que permanece contribuindo integralmente para investigações das autoridades policiais, e esclareceu que os processos de controles internos da instituição são aperfeiçoados constantemente com objetivo de combater fraudes ou desvios.

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