Polícia apura ligação dos milicianos com “venda de sentenças”

A Operação Salvator, deflagrada em julho desse ano, e coordenada pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, e Itaboraí (DHNSG), que resultou no cumprimento de 45 Mandados de Prisão contra uma espécie de “franquia” da organização miliciana, controlada por Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, em Itaboraí, pode dar novos rumos e contornos na investigação. Os agentes podem descobrir, por exemplo, um grave esquema de “venda de decisões judiciais”.

Durante a operação a delegacia especializada, apreendeu um aparelho de telefone celular e dele mensagens foram extraídas. O aparelho pertencia a um homem que se passava por policial civil e, de acordo com os agentes, foi preso junto com a mulher num apartamento de alto padrão na orla de Icaraí, na Zona Sul de Niterói. Também, segundo a DHNSG, o tal “braço” miliciano da organização de Orlando Curicica é acusado de extorquir moradores de várias localidades de Itaboraí, como Porto das Caixas, Visconde de Itaboraí, Areal, entre outros, cobrando uma série de taxas por supostos serviços prestados. Além disso, de acordo com a polícia e o MP, o grupo estaria envolvido numa série de assassinatos de vítimas que foram enterradas em cemitérios clandestinos, espalhados por localidades de Itaboraí.

Na mesma linha de investigação está a Polícia Federal, que no último dia 24 deflagrou no Rio a Operação Plantão, com o propósito de desarticular um esquema criminoso de “negociação de medidas liminares deferidas” pela justiça, mediante o pagamento de vantagens indevidas a autoridades públicas. A ação da PF contou com o apoio das corregedorias do Tribunal de Justiça (TJ) e da Polícia Civil do Rio. Foram cumpridos 11 Mandados de Busca e Apreensão com o objetivo de reunir elementos de comprovação desses crimes. O trabalho de buscas e apreensão de provas foi realizado em endereços residenciais, comerciais e profissionais dos investigados. O órgão do Poder Judiciário analisa o conteúdo das mensagens armazenadas no celular do homem preso na Zona Sul de Niterói. A principal suspeita seria que milicianos podem ter usado o telefone para manter contato e negociar sentenças favoráveis na justiça. O STJ informou que o caso corre em segredo de Justiça e, por isso, não repassa quaisquer informações.

Cobrador e executor presos pela DHNSG
Na tarde da última quinta-feira dois criminosos ligados ao grupo que atua na cidade foram presos pela DHNSG: Moisés dos Santos Pinheiros, de 24 anos, e Mateus Cardozo de Oliveira, de 23 anos. De acordo com a DH, Moisés, conhecido como Mão, é braço direito e cunhado de Adriano da Silva Conceição, o Mutante, líder miliciano que atua em Itaboraí. Já Mateus, o Piriquito, seria o responsável por cobranças, assassinatos e também fazer a escolta armada das lideranças da organização. As investigações da Divisão de Homicídios apontam que ambos os bairros, Joaquim de Oliveira e São Joaquim, eram usados como ‘dormitórios’ dos milicianos.

Na Região dos Lagos, na quarta-feira, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) realizou uma operação para desarticular uma organização criminosa de milícia que pretendia atuar em Araruama, na Região dos Lagos. Três pessoas foram presas. As investigações apontaram que um policial militar, lotado no Batalhão de Niterói, e um ex-policial militar (expulso da corporação) se uniram a outros criminosos com o objetivo de instalar uma organização criminosa de milícia na cidade.

Segundo o titular da Draco, delegado Gabriel Ferrando, a especializada vem monitorando e investigando a atuação de grupos de milícia no interior do estado visando desarticular este tipo de organização ainda em sua atuação inicial.
Na Operação Salvator, em julho, pelo menos quatro policiais militares da ativa, dois ex-PMs e três mulheres estavam entre os presos. Um deles se passava por policial, com o qual foi apreendido o aparelho com mensagens que sinalizaram para suspeitas de crimes de “compra e venda de sentenças”. O grupo é acusado de dezenas de homicídios (em atividade típica de extermínio), roubos, extorsões, estelionatos, receptações e crimes da lei de armas e da lei de tortura. Estima-se que o grupo criminoso teria uma arrecadação de R$ 500 mil.

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