Poder público volta a prometer a reabertura do Piscinão de São Gonçalo

As altas temperaturas do verão fazem os gonçalenses lembrarem com saudosismo do Parque Ecológico Praia das Pedrinhas, que ficou conhecido como Piscinão de São Gonçalo, abandonado desde 2014. Mas essa triste realidade está prestes a ser mudada e após anos sem nenhuma perspectiva, o Governo do Estado está com novamente planejamento de reativar o espaço através de uma concessão do local à iniciativa privada. Também foi anunciado que, ainda no primeiro trimestre desse ano, será lançado edital para a contratação de estudos que possibilitem a reativação do local, com outros atrativos para atender a população, respeitando e preservando o meio ambiente.

O tempo de abandono castigou o parque e no local onde o lago artificial chamava atenção dos gonçalenses, o mato cresce a cada dia e até árvores já nasceram no espaço. Quando chove, a água também fica empoçada e a tradicional pista de caminhada e corrida, muito usada nos áureos tempos do Parque, hoje está sendo utilizada por alunos e instrutores de autoescolas, além de rota de desvio para quem segue para a BR-101. Praticamente tudo que tinha no Piscinão foi destruído e furtado, incluindo banheiros, fios, telhas, cancelas, roletas, portões, chuveiros e equipamentos de ginástica. O posto de observação do guarda-vida, feito de madeira maciça e com telhas, é o único espaço que ainda está preservado.

A notícia agradou os antigos frequentadores do Piscinão, como é o caso de Ana Catarina Silva, 72 anos, que lembrou com saudade de quando usava o espaço diariamente.

“Eu fazia academia, caminhada e ainda entrava na água. Hoje o máximo que eu consigo usar é para cortar caminho da minha casa até o ponto de ônibus, que fica as margens da estrada”, contou.

Já um morador do entorno do Piscinão que preferiu não se identificar chamou atenção para a insegurança.

“O local fica muito isolado e é comum saber de gente que foi assaltada. Eu tenho medo e não deixo meus netos frequentarem esse espaço e a noite a escuridão dá medo”, opinou.

O Piscinão foi inaugurado em 2004 e custou R$ 13 milhões aos cofres públicos. Foi fechado em 2008, reabriu em 2010, ao custo de R$ 4 milhões empregados na revitalização, e fechou novamente em 2014. O Governo do Estado do Rio de Janeiro acrescentou em nota que está tomando providências para reativar o piscinão, através da concessão do local à iniciativa privada, em ação integrada das secretarias de Desenvolvimento Econômico, Esporte, Lazer e Juventude, e Ambiente e Sustentabilidade. O primeiro passo foi o levantamento, concluído em dezembro, do aspecto legal do terreno.

Outro discurso

A Prefeitura de São Gonçalo foi questionada sobre assunto, mesmo sendo esse de responsabilidade do Estado. Em nota, a administração pública reforçou que não pode herdar o alto custeio deste espaço no momento atual, local este que ficou abandonado por anos por quem é de responsabilidade. No entanto, essa não era a opinião da administração municipal há cerca de um ano. No início de fevereiro de 2019, O prefeito José Luiz Nanci visitou o Piscinão de São Gonçalo. Na ocasião, Nanci disse que ainda não tinha prazo para reabertura, mas que existia um projeto do Governo do Estado para transformar o antigo Piscinão de São Gonçalo em um novo espaço de lazer.

“O Estado ainda realizará estudos de custeio das obras. Sendo assim, o papel da Prefeitura seria de conservação, através da Subsecretaria de Parques e Jardins. Por isso, iniciamos a nossa parte que é a limpeza e a demolição de alguns quiosques que estão sendo usados por usuários de drogas e depois o estado vai fazer a sua parte conforme combinado”, disse o prefeito à época.

Naquela oportunidade a reportagem de A TRIBUNA esteve no local e acompanhou o trabalho de limpeza dos canteiros e a demolição dos quiosques. Depois disso, no entanto, o local nunca mais passou por intervenção da Prefeitura.

O Piscinão ocupa uma área total de 60 mil metros quadrados, o lago artificial tinha nove mil metros de extensão e capacidade para 12 mil metros cúbicos de água, que era retirada da Baía de Guanabara. No verão e em períodos de férias, recebia até quatro mil frequentadores nos fins de semana. A pista de caminhada tem 580 metros e três academias funcionavam no espaço, sendo uma delas exclusiva para a terceira idade. Além disso, um campo e uma quadra para esportes praticados na areia, um parque voltado para crianças, três quiosques, além de um palco em formato de anfiteatro numa área com capacidade para até sete mil pessoas. Também foram construídos banheiros, postos médico e de guarda-vidas.

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