Decretada prisão preventiva de PM suspeito de matar a menina Ana Clara

Vítor d’Avila

Foi decretada a prisão preventiva do policial militar Bruno Dias Delaroli, de 29 anos, suspeito de ter feito os disparos que mataram a menina Ana Clara Gomes, na última terça-feira (2), na Estrada do Monan Pequeno, região de Pendotiba, em Niterói. A decisão, assinada pela juíza Monique Correa Brandão dos Santos Moreira, foi proferida durante audiência de custódia realizada na quinta-feira (4).

O procedimento foi acompanhado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que opinou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, considerando, sobretudo, a garantia da conveniência da instrução criminal. Foi ressaltada a grave consequência dos fatos, bem como conteúdo dos depoimentos das testemunhas e demais peças de informações, que constam nos autos.

A defesa do PM solicitou a liberdade provisória com aplicação das medidas cautelares diversas da prisão, afirmando que o indiciado é policial militar e teria “repelido injusta agressão”, ao se defender de supostos criminosos, e que “não subiria o morro para ameaçar testemunhas”. Os advogados também tentaram argumentar que a Polícia Civil não teria competência para investigar o caso. Todavia, a solicitação foi negada pela juíza.

“A presente prisão em flagrante foi efetuada dentro dos ditames legais. Não há que se falar em nulidade do procedimento em razão da incompetência da Polícia Civil para investigação dos fatos, considerando que a autoridade policial que lavrou o presente procedimento era competente para tanto. No mais, o dispositivo legal citado pela defesa dispõe expressamente que nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, que é o caso dos autos, a competência para o processamento é da Justiça Comum”, afirma a decisão.

Contradições encontradas em depoimentos prestados pelos policiais, assim como uma suspeita de tentativa de adulteração na cena do crime foram cruciais para a conversão em prisão preventiva. Testemunhas que estavam no local deram versões que desmentem a dos militares.

Os militares alegam que foram confrontados por cinco criminosos no local, sendo dois armados com pistolas, enquanto faziam patrulhamento. Entretanto, testemunhas afirmam que os agentes entraram na comunidade atirando, sem motivo aparente, em direção a uma localidade conhecida como “Pocinho”. Em depoimento, um homem afirma que os disparos cessaram apenas quando ele se identificou como morador da região.

Após os disparos, os policiais foram informados que Ana Clara estava ferida e a socorreram ao Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), onde a menina acabou não resistindo. Segundo declarações dadas pelos moradores à Polícia Civil, os agentes ainda retornaram ao local a fim de tentar recolher estojos de munição que ficaram caídos ao solo.

A equipe de peritos da Delegacia de Homicídios (DH) de Niterói que foi ao local, arrecadou apenas cápsulas de fuzil, calibre 7.62, iguais aos utilizados pelos policiais, cujos tiros teriam sido disparados apenas por Bruno. Entretanto, não havia vestígios de munições de pistola, que teriam sido usadas pelos supostos criminosos.

Por fim, a juíza conclui a decisão afirmando que manter o policial em liberdade poderá representar um fator dificultador para as investigações, além do “risco de reiteração delitiva, considerando que, pelas informações na ficha de antecedentes criminais, o custodiado responde a outro processo criminal por homicídio, não sendo o presente fato evento isolado em sua vida”. Além disso, a soltura do acusado poderia causar embaraços na produção de provas.

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