Pipódromos são regulamentados no Rio de Janeiro

Foi publicada no Diário Oficial, do Estado dessa semana, a Lei 8562/19 que regulamenta os pipódromos como espaços públicos para a prática de soltar pipas, em caráter recreativo ou de festivais em todo o Rio de Janeiro. A normativa animou o setor e praticantes dessa ‘brincadeira’, mas seguindo a mesma evolução, o município de Maricá poderá ser o primeiro da Região Metropolitana a ganhar um pipódromo reconhecido. Será protocolado, na próxima segunda (21), um projeto de lei para legalizar a Rua 0, na Barra de Maricá, na região da Restinga, como o pipódromo oficial do município.

O projeto é do vereador Felipe Auni (PSD) junto com Marcos Bambam (PV) e foi pensado justamente pela quantidade de pipeiros em Maricá. Todo domingo eles se reúnem na Rua 0 para soltar pipa e essa é uma atividade que deve ser preservada. “Montamos, em conjunto, a legalização desse local. Queremos valorizar essa prática que as vezes é muito discriminada. Todo domingo centenas de pipeiros se encontram nessa restinga, brincam e passam muitas horas soltando pipa. Por isso é importante esse local estar legalizado e a Lei Estadual que foi publicada essa semana só reforça a importância dessa valorização. Estamos muito contentes e temos tudo para aceitação em plenário e posterior sanção da Lei”, contou Auni.

A ideia do projeto é trazer as pessoas para a legalidade e segurança para quem pratica e quem está próximo desses espaços. “Nesses lugares, no caso de Maricá, será permitido usar linha de competição, que é cortante mas não é cerol. E temos que ajudar a desmistificar a marginalidade nessa brincadeira. Eu solto pipa desde criança e meu filho está com três meses e só vai usar o videogame depois que aprender a soltar pipa. Se ele não gostar aí sim poderá ir para os eletrônicos”, brincou o designer gráfico William Gil, 30 anos.

Linha, papel, carretel, vareta, cola e uma série de outros itens estão relacionados a esse universo da pipa, e o empresário Bruno Cardoso, dono da HD Pipas, no bairro Trindade em São Gonçalo, sabe bem o que é esse amor. A tradição passou de pai para filho e o que era somente amor também virou negócio. Eles abastecem todo o Rio de Janeiro e outros estados do Brasil através de um trabalho árduo e que envolvem dezenas de pessoas. Só no galpão da fábrica de pipas, em Santa Izabel, são feitas cerca de 20 mil pipas por mês, pelas mãos de uma equipe de 20 pessoas. “Vendemos pipas de R$ 0,40 até R$ 20. Também trabalhamos com as artísticas e personalizadas, encomendadas e feitas de acordo com o pedido do cliente”, resumiu.

Hudson Araújo, pai de Bruno, explicou que a produção em massa abastece Região Serrana, Região dos Lagos além de diversos outros estados. “É um trabalho que une amor e também é muito sazonal já que nosso auge são nas férias, mas quem gosta de pipa, brinca o ano todo. São muitos detalhes e tudo tem que ser feito com muita atenção e essa produção é maravilhosa, por isso nos tornamos referência na distribuição de pipas no Brasil”, contou.

LEI ESTADUAL
A Lei Nº 8562/19, de autoria do deputado Leo Vieira (PRTB), enfatiza uma série de normativas para a regulamentação desses espaços. De acordo com a lei, os pipódromos deverão estar localizados em área restrita aos participantes e a uma distância mínima de 1 km de rodovias públicas e de redes elétricas, para que a prática de soltar pipa seja realizada com segurança. Outra medida é que a linha esportiva de competição (LEC), poderá ser utilizada, exclusivamente, nos pipódromos por pessoas maiores de idade e por menores com idade acima de 16 anos, devidamente autorizados pelos pais ou responsáveis. A linha deverá ter uma cor visível e ser exclusivamente de algodão, com no máximo três fios entrançados, não superior a 0,5 milímetros de espessura.

O presidente da Associação de Pipas Artísticas e Esportivas do Estado do Rio de Janeiro (Aperj), Carlos Magno, participou do projeto e boa parte das normativas foram adaptadas pelas leis do Chile, onde a prática é permitida. “Temos mais de cem mil pessoas que soltam pipam, geralmente em temporadas de férias escolares, mas teve uma mudança cultural e tem gente que solta pipa todos os dias. O primeiro pipódromo será em Gericinó, na Zona Oeste, e Maricá entrará nessa lista pois na Rua 0 tem um ótimo vento e o local é afastado de ruas e estradas”, finalizou

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