PF prende políticos em Saquarema acusados de crimes eleitorais

Aline Balbino

Uma operação da Polícia Federal (PF) de Niterói terminou com a prisão de cinco políticos na cidade de Saquarema, na Região dos Lagos. Entre os presos estão, o atual presidente da Câmara de Vereadores, Romacart Azeredo de Souza; o vice-presidente, Vanildo Siqueira da Silva; o vereador Paulo Renato Teixeira Ribeiro e mais outros dois vereadores ainda não identificados. Além disso, a PF conseguiu cumprir seis mandados de condução coercitiva (forma impositiva de levar suspeitos de processos a prestar esclarecimentos), sendo de dois médicos acusados de fornecer remédios, receitas médicas para exames e atestados para comprovar faltas. Foram cumpridos também 19 mandados de busca e apreensão em que foram apreendidos computadores, documentos, mídias, remédios, receitas, entre outros.

O delegado Elias Escobar, explicou que o esquema estaria ocorrendo mesmo antes das eleições de 2016. Os políticos beneficiariam pessoas em troca de votos. Além de responder criminalmente por, pelo menos, cinco crimes, eles terão os mandatos cassados. Os candidatos conseguiram se reeleger nesta última eleição. A PF continua fazendo buscas para prender outros dois acusados, sendo Guilherme Ferreira de Oliveira, o “Pitiquinho” e Hamilton Nunes de Oliveira, o Pítico”, que era candidato à prefeitura de Saquarema e pai de um dos vereadores presos. A investigação começou no dia 13 de setembro.

A Polícia Federal também está de posse de uma escuta telefônica entre um dos investigados e um pastor de uma igreja evangélica de Saquarema em que é confirmada a presença do político num culto religioso onde seriam oferecidas vantagens indevidas aos fieis. O pastor é uma das pessoas que será convidada para prestar esclarecimentos na PF. Escobar citou os crimes cometidos pelos acusados que podem ser condenados a mais de 15 anos de reclusão.

“Havia compra de voto, captação de sufrágio, emissão de receituário de medicamento controlado, transporte irregular de eleitores, fornecimento de combustível para angariar fotos, cooptação de um líder religioso por seu intermédio e mediante paga para arrecadar votos. Além de outros crimes como formação de quadrilha, construção de obras em prol de potenciais eleitores”.

Novas ações como essas serão feitas, segundo Escobar. A PF estreitará laços com o Poder Judiciários de várias cidades para inibir ações criminosas em outras eleições. Ele acrescentou que compra de votos é uma cultura de várias cidades e que fere a democracia brasileira. Questionado sobre um possível envolvimento do político, Paulo Melo, o delegado afirmou que as prisões são de candidatos de várias partidos.
“Não posso precisar se esses presos têm ligação com esse ou aquele candidato. É um mosaico de partidos. Nós estendemos que esse trabalho funcionou como um laboratório que devem ser repetidos em eleições vindouras”, disse Escobar.

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