PF monitora repercussão da morte de Elias Maluco em presídios do país

A Polícia Federal está monitorando as repercussões em presídios do país e fora das unidades prisionais sobre a morte de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, de 54 anos. Encontrado morto na cela em que estava na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, com indícios de suicídio, dentre os crimes aos quais respondia, Elias Maluco foi condenado a 28 anos e seis meses pelo homicídio do jornalista Tim Lopes. De acordo com o Departamento Penitenciário do Paraná e a Polícia Federal, é aguardado o laudo da perícia para a confirmação das circunstancias da morte. O documento será feito por agentes da Polícia Federal de Nova Iguaçu e tem prazo de 30 para sair a partir da data da morte. O laudo preliminar indicou a causa da morte sendo por enforcamento. Há informações também sobre um possível desentendimento com o Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, chefe da maior facção criminosa do Rio. O corpo de Elias Maluco foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Cascavel.

O delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações do caso, Daniel Martarelli da Costa, informou que outros presos não tinham acesso a cela de Elias. No dia de sua morte ele foi tomar banho de sol como o habitual. As câmeras de segurança do local tem visão da parte externa das celas que são individuais. Ainda de acordo com o delegado, a cela de Elias Maluco estava arrumada e seu almoço foi consumido. O delegado informou também sobre cartas terem sido apreendidas na cela. Nos documentos uma despedida de Elias que estaria afirmando não ter mais vontade de viver e pedindo perdão a família pelo ato considerado por ele corajoso. Os policiais que encontraram o cadáver foram ouvidos pela polícia e as imagens das câmeras de segurança serão analisadas.

A advogada contratada por Elias, Lucélia Macedo, acredita que a morte de seu cliente tenha ocorrido mesmo por conta de um suicídio. Segundo a profissional as informações tidas até o momento apontam para essa conclusão já que se alguém tivesse entrado na cela de Elias as câmeras do sistema penitenciário teriam flagrado a ação. A advogada afirmou que as imagens das câmeras do local serão investigadas e que aguarda o laudo da perícia. No dia em que o corpo de Elias Maluco foi encontrado, ontem (22), a advogada informou ter ido visitar presencialmente o seu cliente por volta das 16h, porém recebeu como resposta da administração da unidade prisional que Elias não a queria receber e que também não gostaria de ver o advogado do Rio de Janeiro que a acompanhava. Seu último atendimento a Elias teria ocorrido há 15 dias e Elias parecia bem. Durante a pandemia da Covid-19, os encontros entre advogados e clientes passou a acontecer por 30 minutos através de videoconferência onde o preso fica em uma sala reservada para este fim e seus advogados em outra. Devido ao horário marcado com seu cliente, ela afirma ser preciso saber com decisão a hora da morte pois morto Elias Maluco não poderia ter recusado a visita. O corpo de Elias Maluco pode ser transladado ainda nesta semana.

Tim Lopes

Em 2 de junho de 2002, o jornalista Tim Lopes, que na ocasião fazia uma reportagem sobre abuso sexual de menores e tráfico de drogas em bailes funk na favela Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio, foi sequestrado e levado por um grupo de traficantes liderado por Elias Maluco para a Favela da Grota no Complexo do Alemão, onde foi torturado e morto, após ter sido descoberto com uma microcâmera tentando filmar a venda de drogas no local.

De acordo com depoimentos de traficantes ligados a Elias Maluco, presos poucos dias depois pela polícia, Elias Maluco torturou o jornalista queimando seus olhos com um cigarro e esquartejou seu corpo com uma espada de samurai. Depois, o corpo do jornalista foi incinerado com pneus e gasolina numa gruta conhecida entre os locais como o “micro-ondas”. Após intensas buscas, os restos carbonizados do corpo de Tim Lopes foram encontrados no dia 12 de junho, num cemitério clandestino da Favela da Grota.

Elias Maluco foi preso em 19 de setembro de 2002, após uma caçada humana de três meses, na sequência do assassinato do jornalista Tim Lopes, morto no mesmo ano. Integrante da facção criminosa Comando Vermelho, comandava o tráfico de drogas em trinta favelas das imediações do Complexo do Alemão e da Penha, sendo acusado pela morte de mais de 60 pessoas. Elias Maluco é, ainda, considerado como um dos responsáveis pelas ondas de violência que abalaram o Rio de Janeiro em dezembro de 2006 e em novembro de 2010.

Após uma caçada humana de três meses liderada pela cúpula da Segurança Pública do Rio de Janeiro, a polícia lançou no dia 16 de setembro de 2002 a chamada “Operação Sufoco”, cercando o Complexo do Alemão com o objetivo de capturar Elias Maluco. Após 50 horas de cerco policial, foi capturado no dia 19 de setembro na Favela da Grota, não tendo resistido à prisão. É dele a frase, no momento da prisão, “Perdi, chefe. Só não esculacha, não”, em referência à ânsia da polícia em prendê-lo. Elias Maluco foi condenado somente em 2005 pelo crime quando pegou a pena de 28 anos e seis meses pelo assassinato do jornalista.

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