PF cumpre mandado de prisão em Niterói na 57ª fase da Lava Jato

A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta quarta-feira (05) no Rio 11 Mandados de Prisão e 26 de Busca e Apreensão na 57ª fase da Lava Jato, chamada de Operação Sem Limites. Dez Mandados de Prisão Preventiva foram destinados na capital e, segundo a PF, dois em Niterói, onde os agentes estiveram num prédio da orla de Icaraí, na Zona Sul da cidade. Entre os 26 Mandados de Prisão também haviam dois para serem cumpridos em Petrópolis, Região Serrana do Rio, e um em Curitiba, no Sul do país. Os presos foram levados para Curitiba, onde responderão por crimes de corrupção, organização criminosa, crimes financeiros e de lavagem de dinheiro na 13ª Vara Federal. Na Zona Sul do Rio (Leblon) foi cumprido Mandado de Burca e Apreensão na residência do diretor de uma empresa de transporte marítimo, ligada ao ex-cônsul honorário da Grécia, com apreensão de computadores, celulares e HD.

Segundo a polícia, as investigações indicaram a existência de uma organização criminosa que lesou a Petrobras na área de compra e venda de petróleo e derivados para empresas estrangeiras. O esquema teria operado até meados de 2014, com o envolvimento de funcionários da estatal. O grupo agia para garantir vantagens indevidas a executivos e ganhos acima dos praticados pelo mercado às empresas envolvidas, que também teriam realizado negócios irregulares de locação de tanques de armazenagens. As investigações identificaram o pagamento de pelo menos US$ 31 milhões em propinas para funcionários da Petrobras por empresas de trading, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

A Polícia Federal detalhou que as operações de compra e venda de petróleo e derivados eram de responsabilidade da Diretoria de Abastecimento, mas não necessitavam de aprovação prévia da diretoria para ocorrer. “Circunstância que facilitava sobremaneira a pulverização dos esquemas ilícitos nas mãos de diversos funcionários de menor escalão, vinculados à Diretoria de Abastecimento, e que exerciam suas funções tanto no Brasil quanto nos escritórios da Petrobras no exterior”, disse a PF, acrescentando que esses funcionários usavam variações ínfimas nas operações para produzir um montante de recursos ao longo do tempo.

Atuando nos estados do Paraná e Rio, equipes compostas por 190 policiais federais cumpriram também seis intimações para tomada de depoimentos. Além disso foram expedidas ordens de sequestros de imóveis, indisponibilidades de contas bancárias de investigados, bem como o bloqueio de valores até o limite dos prejuízos identificados até o momento.

De acordo com a PF, foi constatada a prática de crimes em duas modalidades de negócios da Petrobras que possuíam características semelhantes: os esquemas de corrupção na área de trading (compra e venda) de petróleo e derivados e os esquemas de corrupção na área de afretamento de navios, com ramificações internacionais. A própria Petrobras, segundo a Polícia Federal, mantém escritórios e funcionários no exterior para atuação na área de trading, circunstância que facilita, por parte dos agentes públicos e privados envolvidos, o recebimento e divisão de propinas em contas no exterior.

A investigação policial recebeu o nome de Operação Sem Limites em referência à transnacionalidade dos crimes praticados (que ocorrem em diversos locais no país e no exterior), à ausência de limites legais para as operações comerciais realizadas e a busca desenfreada e permanente por ganhos de todos os envolvidos, resultado sempre na depredação do patrimônio público.

Alvos dos Mandados de Prisão: Luiz Eduardo Loureiro Andrade: intermediador de pagamento de vantagem indevida; Carlos Henrique Nogueira Herz: intermediador de pagamento de vantagem indevida; Bo Hans Vilhelm Ljungberg: intermediador de pagamento de vantagem indevida; Márcio Pinto de Magalhães: representante da Trafigura no Brasil; Rodrigo Garcia Berkowitz: empregado da Petrobras na sede em Houston; Paulo César Pereira Berkowitz: é pai de Rodrigo Garcia Berkowitz, empregado da Petrobras; Carlos Roberto Martins Barbosa: ex-empregado da Petrobras; César Joaquim Rodrigues da Silva: ex-funcionário da área de marketing e comercialização da Petrobras; Marcus Antônio Pacheco Alcoforado: ex-gerente da Área de Marketing e Comercialização da Petrobras; Gustavo Buffara Bueno: advogado, funcionário de André Luiz dos Santos Pazza; advogado; De acordo com as investigações, esses dois advogados lavavam dinheiro para agentes públicos.

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