PF confirma ameaças de morte feitas a deputada federal do Psol

A deputada federal Talíria Petrone divulgou esta semana que é vítima de ameaças virtuais. Em abril passado, a Polícia Federal obteve informações de conversas na chamada Dark Web, que apontam para um plano para matar a psolista, que estaria sendo elaborado desde o ano passado, quando ela estava em campanha. Por sugestão da PF, a Câmara dos Deputados e a bancada do PSOL no Congresso Nacional enviaram ofícios ao governador Wilson Witzel, pedindo escolta para a parlamentar quando esta estivesse no estado. O que foi negado.

Desde que soube das ameaças pela PF, Talíria é acompanhada por agentes da Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados em todos os lugares onde ela circula em Brasília (DF). A Polícia Federal informou o caso ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), que enviou ofício a Witzel, solicitando que o governo estadual garantisse proteção e escolta 24 horas para a deputada quando ela estivesse no Rio. O primeiro ofício de Maia foi enviado em 23 de abril. Como não obteve resposta, o parlamentar enviou novo ofício em 10 de maio. Na ocasião a bancada do PSOL também reforçou o pedido. Sem resposta.

Devido ao silêncio do Estado, a parlamentar resolveu tornar o caso público. Este estava sob sigilo a pedido dos órgãos de segurança. “Recebo ameaças de morte desde ano passado. Em abril, a Polícia Federal obteve informações sobre um plano contra mim e desde então ando com escolta da Polícia Legislativa em Brasília. Já no Rio, o governador ignora a segurança de uma parlamentar eleita”, lamentou Talíria. Segundo ela, divulgou o caso para buscar uma solução pública.

Procurado, o Governo do Estado informou que o pedido da deputada de escolta pessoal, por 24h, pelo tempo que esta permanecer nos limites do estado, foi tecnicamente analisado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo. Por se tratar de um pleito na esfera federal, o gabinete concluiu que este deve ser verificado pela Polícia Federal e irá encaminhá-lo à Superintendência da PF no Estado do Rio de Janeiro. O GSI ressaltou ainda que a parlamentar tem direito à proteção da Polícia Militar do Rio de Janeiro quando estiver no estado em missão oficial, assim como outras autoridades. O pedido deve ser solicitado com até 48h de antecedência, para ser autorizado pelo governador.

Sobre a resposta da assessoria de Witzel, o mandato de Talíria respondeu que não foi um pedido “da deputada”, conforme disse o governador, mas do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que reconheceu a gravidade do caso assim que foi informado das ameaças. Disse ainda que

se o pedido foi analisado pelo governo, por que a resposta só veio agora, depois que as ameaças foram noticiadas na imprensa? Em se tratando da vida de uma parlamentar eleita democraticamente, a demora no retorno revela completa omissão do Estado. Além disso, a obrigação de viabilizar a escolta é dos poderes executivos. Quando o Governo do Estado nega a segurança de uma deputada eleita, ele nega também o exercício pleno da democracia.
O gabinete de Talíria vai, mais uma vez, oficiar o governador e também acionar o Ministério da Justiça para que abram um diálogo sobre a questão.

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