Pets podem ser importantes aliados durante o isolamento social

Companhia, afeto e cuidado. Palavras deliciosas de serem vividas no momento em que o coronavírus faz tantas vítimas e espalha uma sensação de medo e pânico pelo contágio. Os pets podem ser ótimos aliados nesse período trazendo alegria para dentro de casa além de acalmar os tutores em momentos de aflição e receio do desconhecido.

A veterinária Leila Gatti Sobreiro explica como os animais ajudam, principalmente no período da pandemia e também sobre a responsabilidade de ter um pet.

“Muito importante que tenha responsabilidade sobre os pets. Na época que a pessoa está em casa, com possibilidade de cuidar, ou carente pelo isolamento. Quando isso acabar a pessoa pode perceber que não tem como ficar com os animais. Essa reflexão tem que ser feita. Eles ajudam nesse momento e também acalmam, mas vai depender da interação do tutor com o pet e também da correta escolha do perfil do animal”, ponderou a Diretora da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal Fluminense (UFF).

A estudante Julia Rocha Ramos, de 16 anos, teve uma grata surpresa nessa pandemia. Uma gata de rua apareceu na casa da adolescente no dia 29 de março. A mãe dela tentou não ficar com o animal para não assumir a responsabilidade, mas o charme do felino fez a família se apaixonar.

“Eu pedi para minha mãe deixar a gata ficar como presente de aniversário e eu ganhei esse presente. Agora a Lua dorme dentro de casa, levamos no veterinário, compramos caminha, vacinamos e compramos brinquedinhos e tudo que ela merece”, frisou.

A psicóloga Daniela Bernardes aponta que são muitos os benefícios que a Terapia Assistida por Animais, ou Pet Terapia, pode produzir à qualidade de vida dos idosos.

“Muito se fala sobre os benefícios que os animais representam na vida de cada um dos que se dispõe a ter um animal de estimação para partilhar bons momentos. Sabemos também que a disponibilidade de tempo, dedicação, cuidados e carinho são essenciais para que os animais escolhidos por nós possam desfrutar de uma boa vida conosco”, contou.

Adoção

A adoção de um animal de estimação dá trabalho devido ao cuidado, mas em plena pandemia o contato com os bichinhos faz bem para a mente e preenche alguns vazios. Pesquisas já comprovaram que o contato com os pets auxilia na produção de endorfina e serotonina, substâncias que atuam no cérebro regulando humor, sono, apetite e reduzindo as taxas de cortisol, hormônio relacionado ao estresse.

A jornalista Ghirlayne Ferreira teve a ideia de adotar um cachorrinho chamado Xandy, depois que o filho Antônio Gael, de 5 anos, demonstrou que sentia falta de um animal de estimação.

“Ele tem competência e sabe cuidar, coloca comida para o bichinho e até se despede quando sai de casa. Meu filho, assim como eu, adora os animais. O Xandy foi adotado quando tinha uns oito meses logo, no início desta pandemia, e foi a melhor coisa que aconteceu para distraí-lo”, contou Ghirlayne Ferreira.

Segundo ela, é importante falar também que a adoção de um pet é um ato de responsabilidade.

“Em tempos de isolamento é recompensador para o animal e para quem faz a adoção. Mas, não podemos esquecer que será um companheiro, por 10 a 15 anos, no caso de cães e gatos, e precisam de cuidados, vacinas, alimentação e carinho. É uma decisão importante, que deve ser pensada com olhos, no futuro”, ressaltou a jornalista.

A enfermeira Daiene Rosa teve a ideia de adotar um cachorrinho depois de sair da casa dos pais e ir morar sozinha. Ela, por ser criada no meio dos animais, sentiu a falta de um bichano de estimação.

“Queria muito, porque tive um cachorro que veio a falecer. Fiquei triste. Daí adotei outra, a Mel. Ela é super carinhosa e fofa. A presença dela me alegrou muito”, contou.

Na casa do garçon Gabriel Rodrigues, o cachorro adotado ganhou o nome de Toti e faz a alegria de todos.

“Estou adorando. Ele tirou o tédio que existia durante a quarentena. Graças a Deus está tudo dando certo. Ele é super dócil e amoroso. Há milhões de cachorros precisando de lar para morar e eu consegui acolher e agora minha família tem um”, ressaltou.

O médico veterinário Leandro Quintão também alertou sobre a responsabilidade que é adotar um animal e os cuidados que devem ser tomados.

“Não podemos esquecer que o pet é um ser vivo. Ele não é para um momento, precisa de cuidados como ser humano. Boa alimentação, banho, cuidados na prevenção de doenças. Ao adquirir um animal, é preciso lembrar que ele não é um brinquedo. Precisa ser cuidado sempre. Principalmente, após o período de quarentena, quando a vida voltar ao normal”, afirmou.

Para a veterinária Luana Sartori, é importante saber que os efeitos da pandemia afeta não só os seres humanos de diversas formas, mas os pets também.

“A quarentena pode causar nos animais sensações muito semelhantes às que sentimos nesse momento difícil. A alimentação regrada, treinos de comandos, vídeos para pets e música clássica podem ajudar a controlar a situação”, orientou a especialista.

Para Luana, o segredo é administrar bem o tempo em todas as atividades com o bichinho. “Existe a hora de brincar, de se alimentar, de praticar exercícios físicos, de relaxar e de ganhar agrados. Cada momento deve ser vivido com dedicação e entrega. Além disso, estabelecer limites e dar um espaço para o animal ficar sozinho é fundamental nesse processo”, acrescentou a médica veterinária.

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