Petrobras se diz vítima dos prejuízos do Comperj

Anderson Carvalho –

A Petrobras afirmou ontem se considerar vítima do prejuízo de US$ 12,5 bilhões apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), no município de Itaboraí. Segundo o órgão, US$ 9,5 bilhões são atribuídos à gestão temerária do projeto. A companhia afirmou não ter tido nenhum ganho financeiro a partir de eventuais irregularidades apuradas na Operação Lava Jato, e, ao contrário, ter tido prejuízo.

O empreendimento começou a ser construído em 2010 e chegou a ser uma das principais obras do país e considerado a maior da Petrobras, onde chegaram a trabalhar cerca de 35 mil pessoas. Em seu parecer, o relator do processo, ministro Vital do Rêgo, apontou que os responsáveis pela obra foram negligentes na aprovação da fase 2 do complexo, que ocorreu mesmo sem definição de um projeto. Já a aprovação da fase 3 aconteceu mesmo após a identificação de que seria economicamente inviável.

O relatório aponta também que houve demora para o início da reavaliação do projeto. No processo, o TCU determina a oitiva de ex-dirigentes da estatal apontados como possíveis responsáveis pelas irregularidades, como os ex-presidentes José Sérgio Gabrielli e Maria das Graças Foster, além dos ex-diretores Renato Duque e Paulo Roberto Costa.

A Petrobras afirmou que buscará ressarcimento na esfera civil. A estatal informou que enviou cerca de cinco mil documentos totalizando 16 gigabytes de informações, em respostas a solicitações da equipe técnica do TCU relacionadas ao processo referente aos investimentos realizados, no período de 2006 a 2015, no Comperj. Segundo a empresa, essa parceria com os órgãos de controle e autoridades nacionais e estrangeiras fortalece a governança interna da companhia e continuará sendo uma das marcas da atuação da Petrobras em todos esses processos.

A estatal acrescentou que implementa, desde 2015, medidas da governança e conformidade, entre as quais, a revisão das normas e procedimentos para a gestão de projetos de investimento e contratação de bens e serviços. As regras atuais vedam a aprovação de investimentos por um único gestor e exigem a análise prévia dessas propostas por um comitê técnico em que os participantes respondem pessoalmente pelas recomendações feitas à diretoria.

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