Petrobras assina acordo com empresa chinesa para concluir Comperj

Anderson Carvalho –

A Petrobras assinou ontem com a empresa China National Oil and Gas Exploration and Development Company (“CNODC”), subsidiária da CNPC (China National Petroleum Corporation), um Acordo Integrado de Modelo de Negócios, avançando na parceria feita em 4 de julho passado. O acordo visa concluir as obras de construção da refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), no município de Itaboraí, que estão paradas desde 2015.

O acordo prevê inicialmente a realização de estudos de viabilidade para avaliação técnica da situação do Comperj, planejamento do escopo e os investimentos que serão necessários para concluir a refinaria e a avaliação econômica do empreendimento. Os estudos serão feitos por especialistas da Petrobras e da CNODC, além de consultores estrangeiros. Após esta fase, deverá ser formada uma joint venture (quando duas ou mais empresas unem recursos para desenvolver negócio conjunto, dividindo os lucros e os prejuízos), que será responsável pela conclusão do projeto e a operação da refinaria. A estatal ficará com 80% de participação e a CNPC, 20%.

Outra joint venture será feita no segmento da exploração e produção, também com 20% de participação da CNPC no cluster (complexo) de Marlim (concessões de Marlim, Voador, Marlim Sul e Marlim Leste), localizado na Bacia de Campos. A Petrobras ficará com 80% de participação e será a operadora.

Segundo a Petrobras, o tipo de petróleo pesado produzido em Marlim possui características adequadas à refinaria do Comperj, que foi projetada para processar este tipo de óleo, com alta conversão. A companhia acrescentou que a implementação da refinaria dependerá dos estudos de viabilidade e o sucesso das negociações dos acordos finais, a serem concluídos em breve. “Com a assinatura do Acordo Integrado, avançamos significativamente na parceria estratégica com a CNPC para concluir a refinaria do Comperj e implementar um projeto consistente para revitalização do campo de Marlim”, diz Ivan Monteiro, presidente da Petrobras.

As negociações entre a Petrobras e a CNPC começaram em julho de 2017 com a assinatura de um Memorando de Entendimento. As obras da refinaria já estão mais de 80% prontas. Procurada, a estatal informou que ainda não existe previsão de quando começará a contratação de mão de obra para retomar a construção do empreendimento. Isso será definido durante a fase de estudos de viabilidade. Também não foi definido o número de vagas a serem criadas.

A preocupação do Sindicato dos Trabalhadores Empregados nas Empresas de Montagem e Manutenção Industrial do Município de Itaboraí (Sintramon) e do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e São Gonçalo é pela prioridade na contratação da mão de obra local. “Nós estamos acompanhando todo o processo”, contou Edson Rocha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. O Conselho Regional de Engenharia de Arquitetura do Rio de Janeiro (Crea-RJ) vai fiscalizar as contratações. “O órgão vai exercer o poder fiscalizador. A engenharia brasileira está preparada para trabalhar em qualquer projeto. Não permitiremos que mão de obra estrangeira tire empregos de profissionais brasileiros”, afirmou Sérgio Niskier, conselheiro da entidade. Desde 2014, uma lei municipal em Itaboraí determina que 70% da mão de obra no empreendimento deve ser da região.

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