Pesquisa mostra que quase todas as mulheres sofreram algum tipo de assédio

Geovanne Mendes –

O nome é Susllem, mas pode ser Maria, Regina, Cristiane, Marta ou outros milhares de nomes de mulheres que diariamente sofrem com o assédio sexual. De acordo com uma pesquisa realizada recentemente 99,6% das mulheres já sofreram em algum momento da vida situações de assédio. Esses números alarmantes ganharam mais notoriedade depois que o ator José Mayer, de 67 anos, foi acusado de assédio sexual pela figurinista Susllem Tonani, de 28, sua colega de trabalho na TV Globo. Ele primeiro negou as investidas – comentários grosseiros, xingamentos e até um toque na genitália da jovem. Encurralado pela intensa repercussão e suspenso pela emissora por tempo indeterminado, ele divulgou uma carta reconhecendo o erro: “Errei no que fiz, no que falei, e no que pensava”.

O documento realizado pela Organização Não Governamental Think Olga revelou também que cerca de 98% das mulheres já sofreu assédio na rua e 64%, no transporte público. Segundo a pesquisa, 81% das mulheres mudam a rotina por medo do assédio. Isso inclui desde uma simples troca de roupa até a escolha por outro trajeto nas ruas.

Mas afinal, o que é? E como distinguir o assédio sexual do que é uma brincadeira? Para o advogado criminalista e presidente da Comissão Antiviolência da OAB-Niterói, Ennio Figueiredo Júnior, a resposta, apesar de simples, é complexa, já que se trata de um assunto polêmico e invade a intimidade das vítimas, além de pôr em cheque o seu ganha pão.

“Não há dúvida, o assédio sexual conforme o artigo 216-A do Código Penal é constranger alguém com intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao emprego, cargo ou função. A pena nestes casos é detenção de um a dois anos. Claro que a chamada vítima tem que ter testemunhas ou documentos que provem esse tipo de delito, hoje em dia com o advento de mensagens eletrônicas de texto facilita a prova contra o agressor”, explica o advogado.
As consequências podem ser ainda piores e ter reflexos na saúde física e emocional das mulheres. Isso porque a assediada corre risco de desenvolver distúrbios como ansiedade, depressão, perda ou ganho de peso, dores de cabeça, estresse e problemas no sono.

A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Aplicada da Mulher (Ipam), Tânia Fontenele, explica que é importante destacar a noção de que esses comportamentos são desrespeitosos e não confundir com elogios.

“Na nossa cultura, essa atitude já está tão naturalizada que as pessoas fazem como se não fosse nada. Não importa a roupa que você esteja vestida, essa postura é absolutamente detestável e não podemos admiti-la”, ponderou a especialista.

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