Pesquisa: Bolsonaro empataria com seu ex-serviçal Sérgio Moro em 2022

Pesquisa XP/Ipespe divulgada na última quinta-feira (15) mostra Jair Bolsonaro na liderança das intenções de voto para a eleição de 2022. O presidente ganha de todos os adversários nas simulações de segundo turno, exceto do ex-ministro da Justiça Sergio Moro – com quem está tecnicamente empatado. O ex-juiz aparece com 36% das intenções de voto e Bolsonaro com 35%.

Esse é o segundo pior resultado de Moro em uma simulação de segundo turno com Bolsonaro desde que deixou o governo, em abril.

Em abril, a simulação entre os dois mostrava Moro com 58% das intenções de voto, contra 24% de Bolsonaro. Em setembro, essa diferença era de 36% para Bolsonaro e 35% para Moro.

Resultado da pesquisa na simulação de primeiro turno:

Jair Bolsonaro (sem partido): 31%; Fernando Haddad (PT): 14%; Sergio Moro (sem partido): 11%; Ciro Gomes (PDT): 10%; Luciano Huck (sem partido): 5%; João Amoêdo (Novo): 3%; Luiz Henrique Mandetta (DEM): 3%; João Doria (PSDB): 3%; Não sabe/Não respondeu/Nenhum/Branco/Nulo: 20%”

A pesquisa da XP Investimentos foi feita em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). Foram ouvidas 1.000 pessoas em todo o país, por telefone, entre 8 e 11 de outubro. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.

O ex-juiz Sérgio Moro virou herói nacional em 2014 quando nasceu a Operação Lava Jato. Em fevereiro de 2016, um levantamento do Instituto Ipsos apontou que 8 em cada 10 brasileiros eram favoráveis a continuidade da Operação Lava Jato até o fim das investigações, mesmo que isso gerasse instabilidade política no país. Em janeiro o percentual era de 90 por cento.

Foi uma era de ouro para Sérgio Moro. Onde aparecia era aplaudido por todos, fosse em aviões de carreira, plateias de shows, estádios de futebol, nas ruas. O ex-Juiz trabalhava livremente em Curitiba onde os poucos que ousaram atrapalhá-lo foram defenestrados.

A Lava Jato e Sergio Moro apresentaram concretamente ao Brasil a senha para o seu desenvolvimento, o sistemático e radical combate a corrupção.

Só que, inexplicavelmente até hoje, Moro decidiu fazer haraquiri, abrir mão do posto de gigante, de herói nacional, de líder no combate a corrupção para se tornar mero subalterno do presidente Bolsonaro & família. Ainda candidatos, Bolsonaro & família sabiam que caso Moro aceitasse ser ministro da justiça a eleição estaria praticamente ganha. O ex-juiz seria o melhor fiador para o falso discurso bolsonarista contra a corrupção.

Tratada inicialmente como boato, a notícia de que Moro tinha caído no canto da sereia e aceitado ser ministro de Bolsonaro & família (abriu mão da carreira de juiz, inclusive do salário), passando de cavalo a esterco, foi confirmada na boca da eleição de 2018. Por mais absurdo que pudesse parecer. Não é possível que Sérgio Mouro não tivesse noção de que, caso se mantivesse juiz da Lava Jato, com certeza seria eleito presidente da república em 2022. Ou senador, ou governador, ou o que quisesse.

Também é inacreditável que ele tenha caído na cilada do presidente em troca de uma vaga de ministro do STF. Afinal, falar, voltar atrás, fazer, desfazer são atos típicos do presidente, homem de brios voláteis, só efetivos quando o assunto envolve interesses pessoais e da sua família. Sempre foi assim, desde quando quase foi expulso do Exército por indisciplina e suspeita de terrorismo. Clique aqui e ouça a história: https://www.youtube.com/watch?v=_Bd2i-8gqz8

Sérgio Moro caiu em desgraça porque era o ministro mais popular de Bolsonaro (chegou a 75% de aprovação popular), o que despertou a ira do presidente & família. Não conseguiu dar um único passo no combate a corrupção como ministro porque descobriu que o presidente, na verdade, fez da cruzada anticorrupção um mero slogan de campanha. Usando Moro como porta-estandarte, arrastou os votos do eleitorado indignado, frustrado, decepcionado com os malfeitores que a Lava Jato enquadrou.

Semana passada Bolsonaro disse que acabou com a Lava Jato porque no seu governo não há corrupção. Na verdade, ele ainda não acabou com a Lava Jato, mas executou fria e cinicamente Sérgio Moro porque este disse que o presidente queria interferir na polícia federal.

O poder de destruição de Bolsonaro & família fez com que Moro desabasse de 58% (em abril) para magros 36% da preferência popular para a presidência na última quinta-feira. Mantida a tendência, o ex-juiz vai desaparecer na poeira em breve.

Mas a pergunta gritante continua: o que levou o juiz mais popular da história do Brasil, xerife da Lava Jato, referência mundial no combate a corrupção, aceitar se tornar um serviçal de Bolsonaro?

E-mails para luizantoniomello@gmail.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 − 1 =