Pescadores de Itaipu recebem equipamentos para ajudar na comercialização do pescado

A Praia de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, foi palco de uma ação de sensibilização e conscientização para melhorias ambientais para os pescadores da região na manhã dessa quarta-feira (23). O ato fez parte de uma determinação do Ministério Público Federal (MPF), através de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com a Chevron Brasil, a Chevron Latin America e a Transocean Brasil. As empresas foram responsáveis por vazamentos de petróleo, em 2011 e 2012, na Bacia de Campos.

O projeto é coordenado pela Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas, Povos e Comunidades Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem Brasil). “Esse projeto é para fortalecimento dos pescadores do local. As comunidades pesqueiras de todo o Brasil precisam de apoio e em Itaipu não é diferente. Precisamos ajudar na reestruturação da comunidade pesqueira local. A ação da pesca industrial tira o recurso dos pescadores, que são beneficiários por Lei dos recursos pesqueiros”, Flávio Lontro, coordenador nacional da Confrem Brasil.

A comunidade pesqueira de Itaipu ganhou vários equipamentos como freezers, balanças, tabuleiros, seladora de alimentos, mesas de inox e tábuas para a comercialização do pescado. “A ideia é fortalecer a comercialização dos peixes, melhorar as condições de trabalho desses pescadores, fortalecer a cadeia produtiva e girar a economia solidária. Além disso serão usadas carretilhas para ajudar os pescadores retirarem os barcos do mar, que hoje em dia é feito com uns cilindros e demanda muito esforço físico e ajuda de outras pessoas”, contou Sérgio Ricardo, responsável pelo Movimento Baía Viva, parceiro do projeto ‘Maré a Leste’ que executou a ação.

O pescador Jairo Augusto da Silva, que trabalha na pesca há 40 anos, contou sobre a importância desses apoios para os trabalhadores. “Além dos equipamentos para melhorar a cadeia produtiva estamos recebendo oficinas de capacitação para organizar mais a pesca. É um processo grande de luta pela pesca. Recebemos tudo novinho e agora basta a comunidade cuidar e manter”, contou o associado pela Colônia de Pescadores Z-7. “Vamos usar o guincho elétrico para retirar as embarcações da água em dias de menor movimento. Temos uma cultura de ajudar o colega pescador que está tirando o barco do mar e isso é algo que mobiliza todo mundo. Mas é claro que fazer isso de forma elétrica, através da bateria, vai facilitar o trabalho”, completou.

Além de Itaipu o TAC também estipulou medidas compensatórias em outras cinco comunidades pesqueiras: Duque de Caxias, Ilha do Governador, Pontal do Ipiranga (bairro de Sepetiba) e das praias Grande e do Pontal (Arraial do Cabo), na Região dos Lagos.

FIPERJ

Ainda nessa quarta-feira (23) sete prefeituras e cinco instituições fluminenses assinaram Termos e Acordos de Cooperação Técnica com a Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj).

As prefeituras foram de Saquarema, Itatiaia, Silva Jardim, São Pedro da Aldeia, Nova Iguaçu, Porto Real e Bom Jesus de Itabapoana; e as instituições o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro).

“A cooperação técnica entre a Fiperj e os Municípios e Instituições fluminenses é de fundamental importância para o fomento da política pesqueira e aquícola em nosso Estado do Rio, melhorando as condições de trabalho dos produtores, gerando mais emprego e renda e fortalecendo a economia, com a ampliação dessas áreas produtivas e a melhoria da qualidade dos produtos finais. Todos estão convidados para a cerimônia”, finalizou o presidente da Fiperj, Ricardo Ganem.

Colônia de Itaipu resistiu à pressões, mas no final venceu a baderna ambiental

Augusto Ruschi

Por Luiz Antonio Mello

Em meados dos anos 1970, a colônia de pescadores de Itaipu sofreu uma grave ameaça. Um gigantesco empreendimento imobiliário chamado Cidade de Itaipu pretendia encher Camboinhas de prédios de até 15 andares.

Jagunços foram contratados para pressionar e até torturar pescadores que não quisessem “vender” suas humildes casas para o empreendimento. Até hoje não foi esclarecida a morte de um pescador que teria sido afogado por um desses jagunços no meio da lagoa.

Em 1977 os então ecologistas do Rio se organizaram para defender Itaipu e seus pescadores. Com apoio do jornal O Pasquim, o grupo trouxe do Espírito Santo o ambientalista Augusto Ruschi que liderou uma gigantesca carreata de protesto que invadiu a região.

Não houve nenhum abraço a lagoa, nem lencinhos brancos, nem soltura de balõezinhos brancas. Os especuladores jogaram a polícia em cima dos manifestantes que reagiu com paus e pedras, um conflito que só não se agravou porque os marginais foram obrigados a parar e ouvir o esculacho que Ruschi deu neles.

Graças uma Ação Popular, Cidade de Itaipu foi detonada e a aldeia preservada. Por pouco tempo. No final dos anos 1970, a praia entrou na moda. Lanchas em profusão começaram a ancorar por lá e o barulho dos motores espantou os peixes.

Os pescadores artesanais, usando arrastões e canoas, tiveram que ir cada vez mais longe para conseguir peixe, mas acabaram sucumbindo a covarde concorrência de grandes atuneiros e outros navios que praticam pesca industrial naquela área. No passado usaram até bombas para matar e recolher cardumes inteiros.

Superlotada, a praia de Itaipu não dá mais peixe e os integrantes da Z-7 tentam resistir bravamente. Para piorar, a poluição continua dando ordens. Jet skis dando rasantes a beira mar ameaçam gente e espantam mais peixes.

Na areia, principalmente do lado esquerdo de quem chega, sem serem importunados pelo poder público os bares despejam o barulho ensurdecedor dos gigantescos equipamentos de som tocando o que chamam de música. Incomodam, arrancam a paz, continuam a matar Itaipu.

Felizmente o professor Augusto Ruschi não está mais entre nós. Ele teria entrado em depressão se visse o que fizeram com a “nossa” Itaipu.

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