Perigo que vem do céu

Antigamente a prática de solturas de balões animava as festas em cidades do interior do estado e do país, mas com o passar do tempo a beleza e o perigo que representa sua fabricação migrou para os grandes centros, se tornando uma ameaça para natureza e as pessoas. Para quem está engajado na campanha de mobilização e prevenção contra a confecção e soltura de balões, pouco importa o tamanho deles. O perigo que representam é o mesmo. Nos centros urbanos os balões deixaram de ser fabricados e levados ao ar pelos chamados “grupo de baloeiros” em período de festas juninas e passaram a ser lançados perigosamente no céu nas mais variadas ocasiões comemorativas, sejam de aniversário, jogos de futebol, datas religiosas, feriadões, ou mesmo fins de semana, por exemplo, – alguns carregam além da chamada bucha, desenhos e nomes iluminados com “lanterninhas” acesas com velas. Outros carregam “cangalhas” com muitos fogos, que são disparados a certa altura através de um pavio de tempo. Atualmente, os balões representam perigo até mesmo para a aviação, com vários registros já tendo sido feitos de alguns deles vagando de forma ameaçadora no espaço aéreo (de cinco a sete mil metros de altura), servido de alerta para as torres de controle de aeroportos e pilotos.

Os danos com queda desses balões, alguns com dimensões avantajadas, com custos elevados de material para confecção, são irreparáveis em áreas residenciais de mata. Os riscos aumentam mais de ocorrências de incêndio no período correspondente entre o fim do primeiro e o segundo semestre, quando o clima está mais seco, facilitando a propagação das chamas na vegetação ressecada. Entre os meses de maio do ano passado e maio desse ano, 66 ocorrências foram registradas pelo Comando de Policiamento Ambiental (Cpam) na Região Metropolitana do estado, com 214 balões apreendidos, 26 presos e 4.817 itens (como botijões, maçaricos, papel, cola e bandeiras) apreendidos. “A cultura da soltura de balões é oriunda das festas juninas, mas nos últimos anos essa prática passou para as mais variadas datas. Passou a ser uma prática urbana e não mais do interior. As campanhas de conscientização, são essenciais. É uma pr ática danosa para o meio ambiente e ao cidadão. Quem confecciona esse tipo de artefato nas cidades são na maioria jovens. São pessoas de bem, mas precisam de uma conscientização. O serviço de Disque Denúncia está com uma campanha e disponibiliza uma linha exclusiva (Linha Verde) para que as pessoas denunciem os locais de fabricação de balões. Essas pessoas precisam saber o tamanho dos danos que um balão pode provocar. É essencial a participação da sociedade”, alertou o coronel Mário Fernandes, comandante da Cpam, com sede no Rio. Ele acrescentou que o Cpam atualmente possui 8 Unidades de Policiamento Ambientais (UPAm), com cobertura de 12 municípios para cada uma. O comandante revela ainda que cidades do interior do estado praticamente não apresentam ocorrências desse tipo, e a Região dos Lagos algumas.

Período de estiagem e os ventos servem de “estopim”

No ano passado os três quartéis do Corpo de Bombeiros de Niterói foram acionados várias vezes para ocorrências de “fogo em vegetação”, tanto em áreas pequenas na cidade, como em terrenos baldios, ou áreas de maior porte, de mata. Do total dessas ocorrências, cerca de 43% das causas apuradas foram por conta da queda de balões ou componentes destes, como bucha, lanterninhas e até fogos laçados por esses artefatos. De acordo com informes, o período de estiagem (meses com clima mais seco) no ano passado se estendeu de maio a janeiro desse ano, quando normalmente é de maio a outubro.

A assessoria de Comunicação do Corpo de Bombeiros ressaltou a importância da campanha de alerta: “Por voarem sem destino correto, somente sendo levados pelos ventos, os balões podem cair em qualquer lugar ou sobre qualquer coisa, podendo ferir pessoas, atingir redes elétricas, incendiar matas, entre outros (..) “Os balões são feitos da combinação de estopa com materiais inflamáveis (parafina e querosene ou álcool) aquecidos em seu interior. Por isso, dependendo de onde caírem, podem causar danos irreparáveis como incêndios e explosões. A situação se agrava durante o período de estiagem (de maio a outubro), em razão das condições climáticas que criam condições favoráveis à propagação de incêndios, como as chuvas escassas e os ventos mais intensos” (…) “Os incêndios provocam o empobrecimento do solo, a destruição do habitat dos animais, contribuem para o desaparecimento de espécies vegetais ameaçadas de extinção, além de provocarem o aumento do percentual de dióxido de carbono na atmosfera e sua influência no efeito estufa” (…) “Balões podem atingir as turbinas dos aviões quando estes estiverem próximos ao pouso ou decolagem” (…) E por colocar a vida das pessoas em risco, soltar balão é considerado uma prática criminal. De acordo com o artigo 42 da Lei de Crimes Ambientais nº 9.065 de fevereiro de 1998, a prática de soltar, fabricar, vender ou transportar balões é crime. Quem for pego praticando alguma dessas atividades pode ser penalizado com detenção de um a três anos, estando sujeito também a pagamento de multa por balão apreendido”.

Criado em 1999, no dia 15 de abril o Linha Verde, programa do Disque Denúncia exclusivo para se denunciar crimes ambientais lançou mais uma edição da Campanha “Disque Balão”, ação preventiva contra essa tipo de crime. Com isso, a população de todo o Estado do Rio pode denunciar a atividade através dos telefones 2253 1177 (capital) ou 0300 253 1177 (interior, custo de ligação local). Até agora, o Linha Verde registrou 28 denúncias sobre essa prática. Analisando os dados territorialmente, Rio, São Gonçalo e Nova Iguaçu são os locais onde há um maior número de denúncias cadastradas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 × 3 =