Pente fino no Morro do Cavalão

Augusto Aguiar

Com objetivo principal de localizar o corpo de uma mulher, que teria sido morta e enterrada por traficantes no alto da comunidade do Cavalão, em Icaraí, na Zona Sul de Niterói, agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e guarnições do Corpo de Bombeiros desencadearam uma operação para localizar o cadáver na manhã desta sexta-feira.

Ao vasculharem a região, os agentes foram recebidos a tiros por traficantes fortemente armados com fuzis e houve intenso confronto na localidade pela mata. A troca de tiros se estendeu até o limite com a comunidade da Viradouro, já no chamado Complexo de Santa Rosa. O tráfico ao longo das comunidades interligadas pela mata, do Cavalão ao Viradouro, seria ligado à facção criminosa Comando Vermelho (CV) e o confronto também serviu para mostrar que os criminosos dessas comunidades estão fortemente armados, portando armamento pesado, como fuzis.

Agentes da DHNSG foram informados de que na madrugada do dia 29 de outubro, a manicure Jéssica dos Santos Donato, de 28 anos, que já morou na comunidade, mas que havia se mudado para o bairro de Cascadura, Zona Norte do Rio, estaria num bar da localidade no momento em que fora abordada por traficantes armados, próximo de uma quadra, e assassinada a tiros. Fontes policiais adiantaram ainda que embora tivesse se mudado para o Rio, a vítima continuava a frequentar o Cavalão, onde moram familiares. Também na localidade, Jéssica continuava a realizar trabalhos de manicure. A DHNSG explicou que a vítima não tinha envolvimento com o tráfico e nem mantinha relacionamento com algum criminoso. Jéssica fora assassinada por volta de 2 horas da manhã, no dia 29, o corpo da vítima teria sido enterrado em algum ponto de difícil acesso, no alto da localidade.

Na manhã de sexta-feira agentes da Core e DH percorreram a localidade, seguindo um informe inicial de que o cadáver da vítima teria sido enterrado nas proximidades de uma das torres de energia situadas no alto da comunidade. Durante as buscas, equipes do Corpo de Bombeiros, com cães farejadores permaneceram aguardando junto aos acessos do Morro do Cavalão. Durante as buscas na mata, os agentes encontraram vestígios de que os traficantes estariam acampados na região e fortemente armados, devido ao número de munições (deflagradas) de fuzil encontradas em meio à vegetação.

Sem encontrarem vestígios do corpo da manicure, Core e DH prosseguiram nas buscas até o limite com a comunidade do Viradouro, onde criminosos armados com fuzis efetuaram vários disparos contra os policiais, que revidaram. Do alto da comunidade os agantes também puderam ter a certeza que armados com fuzis e do alto da comunidade os criminosos poderiam atingir guarnições policiais que acessam a localidade para realizarem incursões e operações. Agentes da DH informaram que novas operações na região serão realizadas até que o corpo da manicure seja encontrado.

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