Pedido de socorro para São Gonçalo está nas mãos do ministro da Justiça

As principais reivindicações, ligadas à área de segurança, que podem ajudar a melhorar e apaziguar a rotina de violência enfrentada pela cidade de São Gonçalo chegou a Brasília, ao conhecimento do ministro da Justiça. Numa audiência ocorrida essa semana, o ministro Torquato Jardim recebeu uma cópia do abaixo-assinado (contendo 10 mil assinaturas) pedindo providências através da campanha “Todos contra a violência”, lançada pelo vereador Sandro Almeida (PSDB).

“Estive em Brasília nos dias 21, 22 e 23 para entregar o resultado da campanha para recolher assinaturas da população, realizada no fim do mês de setembro. Cobramos das autoridades o envio de verbas e ações emergenciais na área de segurança pública. O pedido foi feito para o ministro da Justiça, com o qual tive uma audiência e a quem entreguei o documento com as reivindicações da população nessa área. Solicitamos, entre outras coisas, soluções emergenciais e a recuperação de várias viaturas que estão baixadas (sem manutenção). O ministro afirmou investimentos, não só para São Gonçalo, mas para todo estado. Também pude observar que o ministro está a par do que vem ocorrendo com a cidade, e afirmou que estará enviando verbas para aquisição de novas viaturas, que hoje encontram-se sucateadas. Ele teria afirmado que enviaria verbas para SG”, explicou.

Também no dia 22, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) aprovou um edital de R$ 93 milhões com objetivo de recuperar a frota da Polícia Militar. O dinheiro seria originário do próprio orçamento da PM e de um convênio com o Detran, onde empresas credenciadas realizarão a manutenção das viaturas da corporação. Estão em processo de credenciamento mais de 50 oficinas, sendo que 15 delas já estariam habilitadas a fechar contrato. Elas farão a manutenção e o reparo dos mais de cinco mil carros, caminhões e ônibus que compõem a frota num prazo de um ano. Segundo levantamento, desde o fim do primeiro semestre do ano passado que as viaturas da PM no interior do estado não têm uma manutenção oficial. Na capital, o mesmo problema acontece desde setembro. Em cidades como Niterói, por exemplo, associações de moradores, representações comerciais, comerciantes e a administração municipal estão unidas para ajudar a corporação no sentido de evitar o total sucateamento da frota. Na cidade de Resende, comerciantes implementaram a campanha “Adote uma viatura. Ajude a PM a ajudar você”.

Dados comprovam falta de aparelhamento na cidade
“A cidade não tem orçamento nem projetos para captar recursos. Se a gente não cobrar, a tendência é que as coisas fiquem ainda piores. São Gonçalo tinha que ter um segundo batalhão por conta de sua população e extensão territorial, e o efetivo tinha que ser dobrado. O povo de São Gonçalo está desesperançoso. Não podemos ficar de braços cruzados”, relatou o vereador. Há anos que a violência na cidade só cresce. A impressão que se tem é que nunca vai diminuir”, havia afirmado Sandro Almeida, antes de ir a Brasília.

Anteriormente, ele já havia revelado que o 7º BPM (São Gonçalo), responsável pelo patrulhamento no município teria no máximo um efetivo de 900 policiais, sendo que desse total, subtraindo as folgas, licenças, férias e pessoal administrativo, restariam, efetivamente no patrulhamento da cidade (de 1,2 milhão de habitantes), ainda menos policiais. Nos mais recentes números da violência, referentes ao mês de outubro, divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), São Gonçalo apresentou elevação nos índices de várias modalidades com relação ao mesmo período do ano passado. Em outras, mesmo com tendência de queda, ainda se mantiveram em patamar considerado alto.

Os crimes de estupros aumentaram de 12% (respectivamente 28 e 25 registros), homicídios dolosos (com intenção de matar), com aumento de 88% (47 e 25), letalidade violenta (soma de homicídios dolosos, auto de resistência, latrocínio, e lesão corporal seguida de morte, aumento de 54,2% (54 e 35), roubo de veículos, crescimento de 22,67% (606 e 494), roubo de carga, aumento de 98,6% (147 e 74), e roubo de coletivo, elevação de 18,98% (94 e 79). Os crimes que apresentaram queda na mesma comparação foram: estelionato (120/134), extorsão (4/7), furto de veículo (89/125), roubo de rua – de celular, transeunte e de coletivo – (859/1.329), roubo de estabelecimento comercial (60/83), roubo de transeuntes (612/1.082), e roubo de celulares (153/168).

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