Pedalando contra o vento

Há um ano decidi fazer da bicicleta meu principal meio de transporte. Rodo, em média, de 30 a 40 quilômetros por semana. Antes, pedalava passeando mas agora uso direto, o dia todo e não faltam fortes motivos para a decisão. Pedalar não polui, é extremamente prazeroso, faz bem ao bolso (bicicleta é custo zero), é bom para a saúde, trajetos que um carro no congestionamento faz em 20 minutos a bicicleta faz em 5, não tem problema de estacionamento e muitos outros benefícios.

Geograficamente, Niterói é uma cidade perfeita para a bicicleta. É compacta, tem poucas elevações, oferece ótimos e belos lugares para passeios. Mas quando alguém que não tem prática quer comprar uma bicicleta e pede a minha opinião, sugiro que espere a cidade ampliar a sua rede de ciclofaixas e ciclovias.

Hoje, inegavelmente, pedalar no trânsito é extremamente arriscado até para quem tem muita experiência. Caminhões, carros, ônibus, motos, ignoram a presença do ciclista e passam por cima com a maior naturalidade.

Vou a todos os lugares, e mesmo experiente, a todo instante levo sustos por causa da truculência, covardia e falta de civilidade dos motoristas nas ruas que não possuem ciclofaixas (maioria, infelizmente). Meses atrás, fiquei impressionando com um motorista de aplicativo quando, eu estava de passageiro, passávamos pela rua Miguel Couto. O motorista olhou para a ciclofaixa e comentou “não entendo por que pintam a área de estacionamento proibido se já existe a placa.” Ele não sabia que era uma ciclofaixa e quando expliquei ele comentou “eu acho que no fim de semana tudo bem porque é dia de passear, mas durante a semana deveria ser dos carros para melhorar o trânsito”. Ia argumentar, mas desisti. Na cabeça dele, ciclista é um vadio que perambula por aí pedalando.

Sigo rigorosamente o protocolo: ando sempre do lado direito, próximo ao meio fio (em risco de atropelamento é rápido subir na calçada), jamais na contramão, devagar e atento. Minha bicicleta tem luzes de sinalização atrás e na frente, que ficam piscando dia e noite. Custam R$ 25,00 e são de Led, recarregáveis. Dá para perceber que “o carro enxerga a gente” com essa sinalização. Mais. Pus espelhos retrovisores, enfim, procuro fazer a minha parte.

O Pedal Sonoro é um grupo de ciclistas muito legal, criativo, extremamente útil. Conheci em fevereiro e já fiz alguns passeios com o pessoal, sempre com uma excelente programação musical que toca em um triciclo. O Pedal Sonoro trata a bicicleta com respeito, extrema consideração e a todo o momento abre a nossa cabeça quanto a importância do chamado cicloativismo. O site e a página no Facebook.

Grandes nomes da gerontologia mundial já comprovaram os benefícios da bicicleta e o seu papel na melhora e aumento da longevidade: melhora o sistema imunológico e a circulação sanguínea; reduz a taxa de glicose, o colesterol e o estresse; ajuda no controle da pressão arterial e fortalece o coração; emagrece; melhora o sono; melhora a libido; ajuda no combate a depressão.

A prefeitura prometeu que este mês inaugura a ciclovia da avenida Marques do Paraná, que ligará a ciclofaixa da avenida Roberto Silveira a da Amaral Peixoto. Assim, o percurso, hoje perigosíssimo, ficará seguro o que deverá aumentar ainda mais o número de usuários.

De acordo com a Transporte Ativo, o tráfego de ciclistas na Roberto Silveira, em setembro, entre 7 e 20 horas, foi de 4236 viagens/dia, um aumento de 290% em comparação com 2015. Na av. Amaral Peixoto foram registradas 3449 viagens/dia, 291,9% se comparado à 2015. Com a inauguração da ciclofaixa na Marques do Paraná esses números devem crescer muito já que as pesquisas indicam que o medo do trânsito é o que mais assusta as pessoas aqui em Niterói.

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