Patrimônio religioso é roubado na Fazenda Colubandê

Aline Balbino

Uma relíquia do século XVII foi roubada da Capela Santana, no interior da Fazenda Colubandê, em São Gonçalo. O retábulo, que é uma espécie de estrutura ornamental em pedra ou talha de madeira que se eleva na parte posterior de um altar, foi roubadona última semana. Visitantes não sabem o dia exato em que o crime foi cometido. O valor da obra é de valor inestimável, mas historiadores acreditam que deverá ser vendida por um alto valor no mercado negro. Além da obra de arte, bancos e janelas também foram levados pelos criminosos.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que realizou uma vistoria na Fazenda Colubandê, para verificar a denúncia a respeito de furto do retábulo da Capela Santana. A Superintendência do Iphan no Rio de Janeiro também solicitou as providências cabíveis ao Governo do Estado do Rio de Janeiro e à Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente e o Patrimônio Histórico do Rio de Janeiro. A partir disso, o Iphan também poderá fazer o registro no Banco de Bens Culturais Procurados do Iphan, que inclui bens procurados protegidos em todo o território nacional.

A Fazenda Colubandê é um bem tombado em nível federal, inscrito no Livro de Belas Artes, no ano de 1940. Cabe ao Governo Estadual, enquanto proprietário do bem, a proteção e conservação do local, bem como do registro formal do furto de bens ou outras avarias.

“Essa obra é de um bem que nem dá para contar. É importante porque relata uma história. Já pedimos atenção a Fazenda, mas fica um jogo de empurra do Estado com a prefeitura. É um lugar histórico que está totalmente abandonado. Esse altar é de alto valor, era um grande retábulo de decoração. Tivemos outras peças roubadas”, disse o historiador Luciano Tardock.

Desgaste e abandono – Grande parte da Casa Grande e da Capela estão em estado precário de conservação. Na igreja há rachaduras muito grandes e fortes chuvas poderão pôr a igreja abaixo. O mato está bastante alto, há muito lixo, focos de dengue e uma piscina abandonada com uma pequena quantidade de água.

“Aqui está tão perigoso que não dá para entrar sozinho aqui. A situação é tensa e estão destruindo totalmente essa região. Há assaltos, pessoas tendo relações sexuais e até usando drogas. Eu lamento muito ver um lugar como esse sendo destruído”, disse João Vieira do Instituto Histórico Geógrafico Itaboraiense.

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