Patrícia Tavares: Bendito seja o que vem em nome do amor! (Parte I)

Só o que vem em nome do puro e verdadeiro amor é bendito! O amor rende mesmo muitos assuntos, muitos clichês, frases de efeitos, artes, livros, romances, rende ilusões… A confusão do que é amor – e do que não é e nunca será – rende muito encontro e muito desencontro… O amor, quando é verdadeiro, pode ser brega, pode ser tímido ou extrovertido, pode ser de qualquer maneira… A questão é quando surgem os disfarces e as pessoas se escondem no amor ou justificam qualquer comportamento no sentimento e causam tanta dor… O amor não tem nada a ver com pessoas de mentira, com os “Pinóquio” da vida real.

Existem muitas confusões causadas por pessoas que se apropriam do amor para fazerem coisas desproporcionais, insanas e dizem ter relação com amor, e não existe relação alguma, é típico da pessoa, do comportamento equivocado, imaturo, medíocre dessas pessoas.

Muitas pessoas crédulas, sérias, acreditam em determinados sentimentos e investem muito – ou tudo – em pessoas vazias, em pessoas sucateadas… A verdade é que, para amar, é preciso muita categoria, e não sujeitar o amor a uma pessoa qualquer, ou a uma pessoa que não consegue amar verdadeiramente e vive por aí querendo arruinar o amor de verdade. Não é nenhum mal ser um “analfabeto no amor”, mas é um mal sair dizendo que é amor quando nem conhece tal sentimento.

Antes cresça no seu amor, desenvolva-se enquanto pessoa, aprenda a grandiosidade de tal sentimento, estude sobre isso, conheça de verdade e com profundidade o que é amor e o que não tem absolutamente nenhuma relação com ele. Aprofunde-se neste potente sentimento e saiba uma regra fundamental: O amor não é somente sobre você e suas necessidades e prazeres! O amor não é egoísta e nem egocêntrico, o amor não deseja o mal de ninguém, não se utiliza do outro para trampolim. Tudo isso é típico de pessoas vazias e que não conhecem o amor e nunca tiveram contato com tal energia.

Gente fraca, vazia, insana, imatura, fica vagando na vida, deturpando a imagem de sentimentos tão grandiosos, confundindo muita gente que cede a caprichos humanos, devaneios de pessoas “mal amadas” e entregues a falsas realidades, falsas formas de amor. O amor verdadeiro não vem para confundir, não vem para retirar ninguém do seu eixo, é acréscimo, é bonança, não combina com luta, com desgaste, com falta de paz… É só pensar um pouco! Você vai saber o que combina com amar, amor, e o que é totalmente antagônico.


Não precisa ser nenhum especialista, é só usar bom senso. Não vale tudo porque é amor. Todos os sentimentos têm seus limites. Estabeleça os seus limites, defina-os de forma clara e desconfie muito se alguém está querendo violar seus limites em nome desse “tal amor”. Quem ama se preocupa com a sua felicidade, mas também se preocupa com a felicidade do outro e compreende que determinadas coisas jamais poderá fazer porque violará o direito do outro e lhe fará mal também, e isso todo mundo sabe que não é sentimento de amor.

É possível estabelecer qualquer tipo de contrato em uma relação. Cada pessoa, cada relação tem seus acordos, seus “contratos”, e o que é acordado em um tipo de relação é válido para os dois, você pode buscar qualquer pessoa que aceite o seu tipo de contrato, de relação e que também seja feliz desta maneira, mas se violar um contrato que estabeleceu com alguém, estará violando os direitos da outra pessoa que não acordou com você determinada coisa. Isso é desrespeito!!! Isso não é amor! Amor leva em consideração os direitos do outro, assim como os seus próprios direitos. Vale qualquer forma de amor, desde que seja acordado, aceito por ambos. Que isso fique bem claro!

Vamos lá a mais algumas premissas: O amor não é dor, o amor não é desrespeito, o amor não é violência, o amor não é hipocrisia, o amor não é maldade, o amor não é fazer o outro sofrer por pura vaidade… O amor não rima com dor, rima com mais amor…rima com ser libertador, e não combina com confundir o outro, colocar o outro em uma teia, em uma neurose, isso não tem nada a ver com amor. “Se liga!” Posse não é amor! Ninguém pertence a ninguém!

E a todos, indistintamente, é oferecido o direito de, a qualquer momento, não gostar mais, não amar mais. Há necessidade de ser respeitado de forma total esse direito, por qualquer razão ou causa. Porque o amor acaba sim, acaba quando não tem cultivo, não há cuidado, não existe respeito, não tem reciprocidade… Mas é devido comunicar para o outro que acabou, e não ocultar e fazer coisas que possam justificar pela falta de amor, mas o outro não estar ciente disso. É necessário ser claro! Por mais difícil que seja, ou constrangedor talvez…

Mas falar com todas as letras de um melhor jeito que encontre: “O sentimento de amor que tinha por você acabou e pronto”. Cada um vai viver sua vida. Por mais que seja difícil, a outra pessoa fique triste, mal por algum tempo, vai passar e vai entender que houve respeito, coerência de quem amou e por algum motivo deixou de amar… Mesmo com algum desconforto, saberá que aquele que não ama mais teve, ao menos, consideração. (continua)

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