Pastor de igreja em Niterói ataca religiões de matriz africana no aniversário de Itaboraí

Um dia que era para celebrar a cidade de Itaboraí tomou outro caminho após ataques do Pastor Felipe Valadão contra religiões de matriz africana, na noite de quinta-feira (19). O município completa 189 anos neste domingo (22), e conta com uma série de shows. O pastor da Lagoinha de Niterói aproveitou um intervalo das apresentações de artistas gospel para fazer o discurso.

“De ontem para hoje tinha quatro despachos aqui na frente do palco. Avisa aí para esses endemoniados de Itaboraí: o tempo da bagunça espiritual acabou, meu filho. A igreja está na rua!!! A igreja está de pé! E ainda digo mais: prepara para ver muito centro de umbanda sendo fechado na cidade! Deus vai começar a salvar esses pais de santo que tem na cidade. Você vai ver coisa que você nunca viu na vida. Chegou o tempo, Itaboraí! Aquele espírito maligno de roubalheira na política acabou”, afirmou.

Reprodução – Prefeitura de Itaboraí

O show com apresentações gospel que ocorreu na última quinta-feira (19) custou R$ 145 mil dos cofres do município. E a Prefeitura informou em nota que declarações dos convidados e artistas “são de inteira responsabilidade deles”. Porém, ressaltou que “o governo é para todos”, e repudiou qualquer manifestação de intolerância religiosa, destacando que o Estado é laico.

Protestos de entidades e investigação no MP

Em Itaboraí, a Comissão de Povos Tradicionais de Terreiros divulgou uma nota de repúdio na sexta-feira (20).

“Em sua fala, o pastor agride de maneira vil, desrespeitosa e ameaçadora à comunidade religiosa do candomblé e da umbanda nesta cidade”, disse em comunicado, que ainda questiona “o motivo de uma manifestação festiva, popular e laica ter em sua programação discursos de cunho religioso. O Deus que conhecemos não compactua com sua megalomania, loucura e arrogância”, concluiu.

Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o relator da Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) da Intolerância Religiosa, o deputado Átila Nunes (PSD) disse que via acionar o Ministério Público do Rio de Janeiro para investigar o uso de dinheiro público pela prefeitura da cidade aniversariante.

“O ódio religioso promovido e financiado por Itaboraí precisa ser investigado. Preparamos uma representação ao Ministério Público contra o autointitulado pastor e contra o prefeito de Itaboraí, que patrocinou o show de horrores com dinheiro público. Também vamos pedir que a Decradi entre no caso para que ameaças contra a liberdade de toda a diversidade não sejam banalizadas. Não vamos permitir que a violência volte a silenciar os cultos afro-brasileiros no Rio”, afirmou.

Foto: Felippe Valadão é pastor na Lagoinha, igreja localizada em Piratininga em Niterói, e outras localidades do Rio de Janeiro – Divulgação / Prefeitura de Itaboraí

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