Parlamentares vão à Justiça para impedir aulas presenciais em Niterói

Parlamentares do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) entraram hoje (5) na Justiça para tentar barrar a volta às aulas presenciais nas escolas da cidade em Niterói. De acordo com o pedido, o momento atual da pandemia não é o ideal para a retomada das aulas presenciais, pois Niterói está com sua rede hospitalar quase à beira do colapso

O pedido assinado pelas bancadas do PSOL na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e na Câmara de Vereadores de Niterói. No texto, os parlamentares apontam que a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) na cidade estão em 92%.

Segundo o decreto publicado pela prefeitura de Niterói na última sexta-feira (2), as atividades nas instituições educacionais e estabelecimentos de ensino de Niterói retornaram seguindo um cronograma. Na Educação Infantil, as aulas presenciais estão permitidas desde ontem (5); para o Ensino Fundamental, na próxima semana, no dia 12 de abril; já as instituições de Ensino Médio e Superior seguem suspensas, assim como estabelecimentos de ensino de esportes, música, arte e cultura e cursos em geral. É permitida a modalidade de ensino on-line para todas as modalidades.

O vereador Túlio Mota, presidente da Comissão de Juventude e vice-presidente da Comissão de Educação, afirma que o retorno das aulas presenciais nesse que tem sido caracterizado por cientistas e estudiosos como o pior momento da pandemia significa violação de garantias constitucionais como o direito à vida e à saúde. Para o parlamentar, o retorno às aulas presenciais no ensino infantil da rede privada implica no trânsito pela cidade de milhares de alunos, responsáveis e profissionais da educação e, por consequência, a propagação em escala geométrica de uma possível contaminação. Não bastasse, as salas de aula são por natureza ambientes fechados e com pouca circulação de ar que, com concentração de alunos e profissionais, se tornam os espaços ideais para a propagação do novo coronavírus.

“A iniciativa surgiu de uma série de denúncias que a gente tem recebido de professores se queixando com os nossos mandatos. Estamos no pior momento da pandemia e, a partir disso, nossos mandatos na Alerj e na Câmara tivemos a ideia de ações conjuntas. As melhores recomendações científicas afirmam que o isolamento social é a medida mais eficaz para salvar vidas no atual cenário. Considerando os recordes diários de aumento de óbitos e da média móvel, o colapso do sistema de saúde das redes pública e privada e o potencial colapso do sistema funerário, não se vislumbra razão que justifique o retorno às aulas presenciais nesse momento tão sensível da pandemia em Niterói”, afirmou o vereador.

O vereador ainda aponta que com a confirmação da nova variante, a P.1 de Manaus, circulando em Niterói a máxima de que Covid-19 apenas é letal em idosos não pode mais ser levada em conta e que, nas escolas, muitos dos funcionários são idosos e têm comorbidades. “Essas novas variantes afetam os jovens e têm infectado pessoa mais jovens, que estão morrendo também. Temos que tomar cuidado com a saúde dos nossos alunos e dos nossos professores e profissionais da Educação”, concluiu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

oito + 11 =