Pandemia de solidariedade em tempos de Covid

Camilla Galeano

Quando a pandemia chegou, trouxe com ela muitos medos e incertezas. Logo de início todos foram informados que os idosos eram um grupo de risco e precisavam ser isolados. Outras preocupações surgiram: como eles vão ficar sozinhos por tanto tempo? Como vão comprar alimentos e outros itens para casa? Foi ai que surgiu uma corrente de solidariedade no condomínio Smart Style Residence, no bairro Santa Rosa, em Niterói. Em março deste ano, um cartaz foi colocado no elevador dos blocos e os jovens podiam se voluntariar para fazer compras para os idosos.

A advogada Camila Vidal, de 27 anos, que tem os pais no grupo de risco, sentiu orgulho da ideia que os vizinhos tiveram e também se voluntariou.

“Eu descobri sobre a campanha quando fui passear com meu cachorro e vi o cartaz no elevador. Não sei quem teve a ideia, mas algumas pessoas já tinham se inscrito, e eu aproveitei a oportunidade. Controlamos tudo pelo grupo de mensagem instantânea que temos. Quem está indo na rua, informa ali e pergunta se tem alguém precisando de algo. Ou então, o idoso, interfona pedindo. Eu fiquei bastante surpresa porque eu estou morando há pouco tempo aqui e conheço muito pouco os moradores. Então eu não esperava que fossem fazer isso. É uma sensação de união! Fico muito feliz e orgulhosa de poder ajudar as pessoas de alguma forma. E esse trabalho voluntário está sendo feito até hoje, porque muita gente ainda não está saindo”, explicou.

No condomínio Parque Residencial Zodíaco, no bairro Alcântara, em São Gonçalo, alguns moradores também aderiram a ideia. Segundo o estudante Arthur Benevides, de 19 anos, a partir do momento que ele postou a mensagem no grupo do prédio, outros jovens admiraram a iniciativa e decidiram participar também, como é o caso da Luana Silas, de 22 anos, que de imediato se disponibilizou a ajudar e avisou a outros amigos.

“Os idosos são do grupo de risco e eu tenho ligação muito grande com essas pessoas por causa dos meus avós. Muitas das vezes os idosos tem a saúde frágil e nós jovem temos que ajudar sim. Fiquei muito feliz, porque depois que fiz a publicação, apareceu muita gente pensando igual, querendo ajudar. Acho que essa é uma forma de passarmos por isso de uma forma melhor”, disse Arthur.

Luana foi além das compras e ofereceu ajuda para acabar com outro problema que atingiu os idosos nessa pandemia: a solidão. Ela escreveu algumas cartinhas com seu número de telefone e colocou debaixo da porta dos moradores.

“Eu comecei a perceber que sempre que levávamos as compras para eles, queriam ficar na porta conversando e a gente não podia, porque chegamos da rua, não estávamos higienizados. Foi ai que tive a ideia de doar meu tempo livre para conversar com eles pelo menos por telefone. Alguns me contavam história da vida deles, falavam sobre a família, falavam do dia, conversavam sobre programas de TV, acabou que eu recebi o presente. Aprendi muito com eles”, disse.

O músico niteroiense André Luiz dos Santos, 55 anos, ofereceu o que tinha de melhor para os outros: cultura. Todos os dias às 15h ele fazia uma apresentação musical com seu saxofone na varanda do seu apartamento que fica na Rua Vereador Duque Estrada, em Santa Rosa. A receptividade foi tamanha que até pedidos de músicas ele recebia.

“Foi a força da música. Uma força que restaura a alegria e dá sentido à vida. Ter a certeza que a música é o agente motivador e transformador. Na verdade colhi frutos maravilhosos e o retorno foi muito benigno e muito grande. Pessoas se sentiram confortadas e abençoadas pela minha atitude. Tenho certeza que o que eu fiz chegou ao coração das pessoas de forma bem positiva e a música tem o poder de mudar a vida. Com certeza levei acalanto para quem ouviu”, frisou.

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