Pandemia: bares e restaurantes começam a amargar prejuízos

O avanço da pandemia de coronavírus (Covid-19) pelo Brasil e a necessidade de isolamento social já afetam a economia. O setor gastronômico já amarga prejuízo e a Confederação Nacional do Turismo (CNTur) estima que 30% dos restaurantes e similares, como bares, em toda a rede brasileira não suportarão a falta de clientes, totalizando cerca de 200 mil estabelecimentos fechando as portas.

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que, somente em março, foram R$ 11,96 bilhões em perdas de receita, uma queda de 84% em relação ao mesmo período de 2019. De acordo com Wilson Luiz Pinto, secretário geral da CNTur, o grande problema é que restaurantes possuem pouco capital de giro, por ser uma atividade de alto custo e com margem de lucro baixa.

“Um ponto comercial precisa ser num lugar bem visível, com um valor aluguel extremamente caro. A atividade também exige muitos funcionários e, além disso, temos uma alta carga de imposto sob os ombros da categoria. É impossível ficar um mês parado, sem faturar”, alerta Luiz Pinto.

Apesar dos programas de apoio à economia em Niterói, há empresas que não se enquadram nas medidas. O Boteco Confraria, localizado no Polo Gastronômico de Icaraí, na Zona Sul da cidade,é um deles. De acordo com o empresário Adalberto Caveari, sócio do estabelecimento, ele foi obrigado a demitir 31, dos 89 funcionários.

“A gente tem preocupação tanto com o funcionário quanto com a empresa. Tive que demitir esse número porque não sei quando iremos retornar, mas desliguei apenas aqueles que podiam receber o seguro-desemprego, para eles terem uma renda pelos próximos meses. Eles estarão muito mais aparados com o seguro-desemprego do que retornar para um emprego que pode não ter condição de pagar”, esclareceu o Beto, que ressaltou que é a favor das medidas adotadas pelo governo municipal.

O setor gastronômico foi o primeiro a ser afetado e será o último a retornar as atividades, analisou o empresário. Ele conta que atualmente as pessoas estão tentando se adaptar, porém o delivery não consegue compensar.

“Atualmente o delivery não representa nem um quinto do faturamento, mas estamos tentando nos adaptar e não ficar parado. Além disso, as contas continuam chegando, o custo do imóvel, por exemplo, muitos proprietários estão irredutíveis em negociar”, pontuou.

Paulo Solmucci, presidente Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) concorda a respeito do delivery.

“O salão que realmente é responsável pelo faturamento, a maioria absoluta dos restaurantes não consegue pagar nem mesmo a folha salarial com pedidos por telefone. Essa modalidade é uma medida paliativa. Precisamos que essa pandemia passe rapidamente, se não o prejuízo será ainda maior”, lamentou.

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