Pais de crianças com doenças crônicas encontram dificuldade para filhos estudarem

Neste sábado, 7, das 8h às 12h, o auditório do Colégio Maia Vinagre, em Santa Rosa, será palco de um evento para discutir os avanços tecnológicos no tratamento do Diabetes tipo 1, além de outros esclarecimentos sobre a doença. Cerca de 0,5% da população mundial possui a doença e em crianças essa estatística está aumentando com o passar dos anos. Ainda não se sabe o motivo dessa patologia nos pequenos, que não está ligada aos hábitos alimentares, mas que prejudica o dia a dia de muitas crianças. Uma das principais dificuldades ocorrem justamente no ambiente escolar, que não é preparado para receber e cuidar de um paciente que necessite de aplicação da insulina.

A endocrinologista pediatra Dra. Susana Chen vai realizar o encontro sobre Diabetes tipo 1 e também vai explicar sobre as vantagens dos medicamentos e aparelhos para medição da glicose, além de prestar esclarecimentos jurídicos para acesso ao tratamento. Ela explicou que não existe nenhuma obrigação ou normativa para que funcionários de escolas apliquem insulina nas crianças e adolescentes com a doença. “Apesar dessa não obrigatoriedade esbarramos em situações em que funcionários se sensibilizam com essa questão e querem aprender para ajudar os estudantes. Mães e pais funcionários público conseguem ter uma redução na carga horária de trabalho para irem nos colégios ajudarem os filhos nas aplicações. Mas quem não é funcionário público não tem essa opção”, frisou.

Esse é o caso da técnica em enfermagem Giselle Terra, 32 anos. Ela tem uma filha com Diabetes tipo 1 que está com 6 anos e está enfrentando dificuldade em trabalhar. “Eu tenho que pedir para amigos de trabalho trocarem de horário comigo para eu ajudar a minha filha, na hora do recreio, para fazer a aplicação da insulina. Isso é para algo simples como a minha filha merendar com os amiguinhos. Essa é uma situação delicada e se tivesse um funcionário que me ajudasse, eu não precisaria faltar trabalho ou chegar atrasada por conta disso. Entendo que não é obrigação da escola, mas acho que as autoridades deveriam pensar isso. Poderia ter uma escola específica, com uma pessoa responsável para administrar as doses, e concentrar esses alunos que precisam de remédios, não somente a insulina, outras doenças crônicas também”, ponderou a moradora da Região Oceânica.

O mesmo acontecia com a farmacêutica Lídia Oliveira, 47 anos, que conseguiu, através da Justiça, o kit para aplicação automático da insulina. Ela explicou que sua filha de 17 anos sentia uma série de sintomas quando a glicose estava alta. “Ela sentia dor de cabeça e perda da visão. Quando a glicose cai muito ela também se sentia muito mal. E esse controle de quando está muito alta ou baixa é muito difícil. Eu passei por duas situações em que ela ficou internada no CTI. Com a bombinha ela tem mais autonomia e eu também”, explicou.

A Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) informou que desenvolve projetos, como o ‘Articulação no Território’, que visam instrumentalizar as equipes gestoras na perspectiva de compartilhar responsabilidades quando surgem situações mais complexas, como as que envolvem a saúde dos estudantes. Nesse sentido, a Seeduc orienta às Diretorias Regionais e às direções das unidades escolares que se articulem com as unidades básicas de saúde, a partir das demandas que surgem no cotidiano escolar. No entanto, é importante ratificar que nenhum profissional de educação deve administrar rotinas medicamentosas com os estudantes. Também não há previsão legal que torna obrigatória a presença de um profissional de saúde, no caso um enfermeiro, para conduzir tais situações.

Já a Prefeitura de Niterói informou que os alunos da rede municipal de educação podem ser atendidos nas unidades de saúde mais próximas às escolas, onde estão profissionais habilitados para a orientação e administração de medicamentos e/ou procedimentos. A orientação da Fundação Municipal de Educação é que os responsáveis tentem organizar os horários para que a criança receba os medicamentos fora do horário escolar, sempre que possível.

A Sociedade Brasileira de Diabetes(SBD), filiada à International Diabetes Federation (IDF), desenvolveu uma plataforma de Educação a Distância (EAD) para oferecer um curso de Capacitação em Diabetes gratuito para quem quiser o aperfeiçoamento. Além disso mantém um projeto, “Pacote Educativo para Informar sobre Diabetes nas Escola”, que é reconhecido pelo Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Diabetes e pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Entre as recomendações para a escola estão: reuniões com os pais para saber a rotina do aluno, manter atualizado os contatos de emergência, permitir o monitoramento da glicose pelo aluno, oferecer um lugar seguro para o aluno aplicar a insulina entre outras dicas, até mesmo ter acesso ilimitado ao banheiro e bebedouro. Ainda de acordo com nota o aluno pode realizar suas aplicações de insulina e medir o açúcar no sangue, de acordo com o plano de tratamento, se se sentir seguro para isso; assim como pode levar para a escola o kit de diabetes.

O QUE É A DIABETES TIPO 1?

De acordo com a SBD é quando o pâncreas para de produzir completamente a insulina. É uma doença auto-imune, o que significa que o próprio corpo, através do sistema imunológico, ataca as células que produzem insulina no pâncreas. Isto faz com que o corpo seja incapaz de controlar a quantidade de glicose no sangue. Para manter a glicemia controlada, a insulina deve ser aplicada através de injeções subcutâneas quantas vezes forem necessárias. O objetivo da insulina é permitir a entrada de açúcar (glicose) nas células, controlando os níveis do açúcar no sangue (glicemia).

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