PAINEL: QUANDO A MÁSCARA CAIR, QUEM VAI SORRIR?

O estarrecedor número de 146 óbitos registrados em Niterói, entre 20 de setembro e 20 de outubro de 2021, face a 72 mortes registradas no mesmo período do ano passado, conforme publicado na edição de sexta-feira (22) de A TRIBUNA, revela que ainda é cedo para abrir mão de alguns protocolos, como medidas de higiene que obrigam o uso de máscara, a oferta de álcool em gel, e o distanciamento social. Pois se todo esforço feito até aqui for em vão, não haverá sorriso, mas sim lágrimas.

“Niterói não é uma ilha”

Foi uma das frases mais repetidas nas chamadas ‘lives’ feitas pelo ‘Gabinete de Crise’ de Niterói. Mas, considerando que parte considerável dos niteroienses trabalham na chamada cidade maravilhosa, como será que vamos administrar quem é obrigado a usar máscara aqui e não é obrigado a usar lá?

Vale destacar que, no Rio de Janeiro, entre 20/08 e 20/09 desse ano, foram contabilizados 2.058 óbitos. Contudo, entre 20/09 e 20/10, esse número diminuiu consideravelmente para 1.348 mortes, ou seja, 703 mortes a menos, o correspondente a uma redução de mais de 1/3 de óbitos.

Em Niterói, o número de mortes, entre 20/08 e 20/09, foi de 152. 30 dias depois, foram apenas 6 óbitos a menos. Redução abaixo de 4%.

Trabalho na direção certa

É importante destacar que Niterói, até então, trabalhou de maneira correta, e é um exemplo não só na vacinação da população, como também nas medidas protetivas dirigidas ao cidadão e ao empresariado em geral, com os diversos programas lançados, que atenderam desde os mais vulneráveis, alunos da rede municipal, microempreendedores e empresas de pequeno e médio porte. Não é o momento de relaxar em demasia com medidas, com o mundo ainda em alerta, mesmo diante de um cenário decrescentede ocupação de leitos.  

Variante da Variante

No Reino Unido, a agência sanitária britânica UK Health Security Agencyinformou que 6% do total de casos registrados correspondem à variante AY4.2, chamada de ‘Delta Plus’. “Análises preliminares aparentemente demonstram que ela tem níveis de transmissão mais altos em relação à Delta”, explicou a agência, dizendo, ainda, que “testes adicionais são necessários”.

Redução de ICMS dos combustíveis

A semana terminou marcada por um protesto de caminhoneiros-tanqueiros, pela “redução do ICMS dos combustíveis” no RJ e em MG. A consequência do ato foi uma corrida aos postos, pois o medo de desabastecimento foi grande. Em algumas cidades mineiras, longas filas se formaram, e o combustível chegou a esgotar em alguns postos.

Embora a categoria tenha dito “não querer esmolas” de Bolsonaro, o discurso de redução de ICMS para diminuir o preço do combustível foi verbalizado primeiro pelo presidente da República, e replicado, de imediato, por seus simpatizantes robóticos.

Na verdade, quem tem de intervir no preço dos combustíveis é o governo, pois o povo é o sócio majoritário da Petrobrás. E, até agora, entre o povo e o mercado, Jair tem sido claro: ele está do lado do mercado, ficará do lado do mercado, e continuará transferindo para os governadores o desgaste político do preço dos combustíveis.

DÓLAR ALTO

Cada suspiro dado pelo governo e sua equipe econômica capaz de fazer o dólar disparar faz a alegria do pessoal do agronegócio e, por consequência, da bancada que representa seus interesses no Congresso Nacional. Ruim para o pobre, que com o Real fraco – e sem aumento – vê o frango e a carne disparar. Sem contar que muita gente lucra com as chamadas “informações privilegiadas”.

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