PAINEL: O DRAMA DAS ENCHENTES IMPÕE AÇÕES PREVENTIVAS EM TODO PAIS

Dois grandes desafios climáticos precisam ser enfrentados pelo país, que deu exemplo de participação comunitária oficial em quase dois anos de união no combate à pandemia da Covid.
O Brasil acordou quando o mal já estava se instalando e ainda mantem acesa a chama da autodefesa coletiva.
A temporada de chuvas 2021\22 causou grandes estragos e perdas materiais e humanas, em diferentes regiões do país, então deplorando a queda do nível dos reservatórios de água, como ameaças ao abastecimento hídrico à população e à geração de energia.
O Brasil não foi descoberto e habitado ontem. Os desafios são antigos e as soluções são conhecidas há séculos, como também muitos problemas poderiam ter sido evitados a contar dos tempos em que se programou Planos Diretores para ordenar o desenvolvimento das cidades.


Para combater as secas, especialmente na região Nordeste, temos o exemplo dignificante de D. Pedro II. Ao saber da extensão da tragédia no Nordeste, o Imperador determinou medidas imediatas, uma delas a ainda obra de ligação dos rios Tocantins e São Francisco. Informado pelo Ministério da falta de recursos, proclamou: “Vendam as joias da Coroa porque nenhum brasileiro pode morrer de fome, causada pela seca”. A interligação dos rios, levando água ao nordeste, já resultou em efeitos positivos. O efetivo começo ocorreu quando ex-governador cearense, Ciro Gomes, era Ministro do Governo do pernambucano Luiz Ignácio da Silva. Seus sucessores, felizmente, prosseguiram a obra.
Anteriormente, o antigo governo soviético executou, com rapidez, na década de 1950, a ligação dos rios Volga e Don.

Clima e Urbanização

A gravidade da situação climática brasileira não é de hoje. Já na passagem dos séculos XIX\XX, um araçuaiense editou, pela Imprensa Oficial de Minas Gerais, um livro analisando a questão, com enfoque para degradação das matas ciliares, especialmente no Vale do Jequitinhonha, no norte mineiro, e próxima das regiões hoje assoladas pelas enchentes, no norte mineiro, e no sul e leste da Bahia.
Mesmo cidades planejadas como Belo Horizonte não foram adequadamente planejadas para não sofrerem a força da Natureza no escoamento ou conservação das periódicas e volumosas correntes se água ou diante das secas originadas do descuido com as margens dos rios e não preservação das matas ciliares.
Muitas cidades, como Niterói, sofrem com a cumplicidade oficial, permitindo que a ganância imobiliária chegue a construir edifícios sobre canais, como o do Campo e São Bento, ou construções estreitando as margens dos antigos rios transformando-o em canais obstruídos e poluídos.

Saudades dos bons serviços

O Brasil evoluiu econômica e tecnologicamente, mas regrediu em ações sociais e na eficiência dos governos.
Impregnou-se de ações amplamente divulgada sobre insegurança, racismo, violência contra a mulher, estupros, exploração do trabalho infantil, tráfico, diferenciações de gêneros etc. Mas esqueceu-se da educação e de medidas para recuperação de menores infratores ou ressocialização de condenados em superlotados presídios.
Fechou os CIEPS e criou sofisticados sistemas prisionais.
Acabou os Departamentos Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS) e de obras de Saneamento (DNOS). Restringiu as pesquisas científicas ou tecnológicas.
Vivemos do “lazer” dos “filmes de ação”, da cultura importada e das novelas estimuladoras dos desajustes familiares.
Tomara que Nostradamus tenha errado ao prever que “a mil chegarás, mas de dois mil (anos) não passarás”.

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