Painel: NÚMEROS NÃO RETRATAM AS TRAGÉDIAS VIVIDAS NOS LARES

O gigantismo da dor causada pelas mais de 600 mil mortes provocadas pela Covid equivale a ocorrência de hecatombe como a eliminação de todos moradores do 37º município brasileiro, Aparecida de Goiás, que conta com mais 85 mil, além da grandeza dos 515 mil habitantes de Niterói.

No Estado do Rio apenas a capital, São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu ultrapassam a faixa
dos 600 mil habitantes.

Se todas estas ocorrências tivessem sido registradas, por exemplo, em Niterói, isto indicaria que seus quase 200 mil imóveis ficaram completamente vazios. São 600 mil pessoas ausentes nas habitações, nas escolas, nos locais de trabalho e de lazer ou nos serviços de saúde e repartições públicas.

Quantas pessoas responsáveis pelo sustento financeiro e afetivo de milhares de pessoas estão fazendo falta às esposas, filhos e netos. Quantas mães não estarão mais assistindo e encaminhando os seus filhos. Mas também os jovens e crianças que levaram a alegria e deixaram parentes e amigos num vazio de vida.

O mercado de trabalho perdeu grandes profissionais e o setor produtivo se esvaziou de valores criativos e geradores de empreendimentos, que se dedicavam não só a economia, mas também a obras sociais.

A pandemia também arrastou do nosso convívio muitas expressões, valiosas do mundo da arte, da cultura, da ciência, do ensino, dos esportes e até da política.

Desconcentração populacional

As estatísticas oficiais da pandemia confirmam que a concentração populacional gera a deterioração da qualidade de vida em contraste com a convivência em pequenas cidades.
A vida é mais saudável no interior onde há menos risco de contágio de doenças, menos estresse, o ar é mais puro e o modo de vida é mais simples.
São vários os indicadores desta realidade. Um deles é o grande número de municípios livres de qualquer óbito no curso dos 18 meses da pandemia. Também é grande o número com ocorrência de um único caso fatal.
Mais da metade dos 5.570 municípios lamentaram a média de uma perda de vida em cada mês, em contraste com capitais de Estados onde foi longo o calendário de registro de mais de 100 óbitos por dia.

Economia pesada

Está em situação precária o importante Instituto Anatômico da UFF. Apesar da importância das aulas práticas para os acadêmicos de Medicina, a UFF teima em não reabri-lo. Deveria ter aproveitado os 18 meses de ociosidade do espaço para a realização das obras de emergência.
O serviço público em muito poupou os gastos com a crise. Não teve despesas como água, luz, limpeza ou, na manutenção do Restaurante Universitário. Situação diferente para os alunos, punidos com o atraso de um ano e meio nos seus estudos.

Curso de ociosidade

Enquanto os setores produtivos queixam-se do isolamento e clamam pela retomada das atividades, o Poder Público vai na contramão do interesse público.
A decretação do ponto facultativo, na segunda-feira (11), é justificada pela celebração de eventos pela passagem do dia consagrado à N.S. Aparecida, padroeira do Brasil.
Na maioria da cidades nem existe uma igreja consagrada à Santa e nem programações de romarias ou missas como vem acontecendo, desde o fim de setembro na cidade paulista de Aparecida.
O comércio lojista lamenta o meio-feriado, não oficial, afetando as vendas na véspera do “Dia da Criança”, 12 de outubro.

Menos tristeza

A significativa queda na ocorrência de óbitos nos dias atuais e desde todo o mês de setembro deixa uma marca significativa em 27 municípios que passaram o período sem o registro qualquer morte por Covid.
Mas no cenário nacional a história da Covid-19 deixa a marca da letalidade no Estado do Rio que, embora com um terço da população de São Paulo supera a terra de João Dória na estatística estadual de registro de óbitos diários.
No balanço geral desde março de 2020 até ontem os dois Estados respondem por mais de um terço das vidas perdidas no país.

E o bem público…

Os municípios se esmeram na realização de obras, mas não fazem igual esforço para a manutenção do patrimônio cultural e assegurar direitos aos contribuintes. Um conjunto de descaso é retratado nesta foto: não há cobertura para a proteção de quem espera por ônibus num ponto movimentado e junto ao um colégio, o IEPIC, com três mil alunos; a parada foi estabelecida quando a rua dava mão em um sentido e ela foi invertida, dificultando o acesso na saliência onde encostam os ônibus; e o monumento, ali existente, foi destruído há quase um decênio. Tornou-se um símbolo da omissão público e aos maçons, por ele homenageados, defronte a Loja Maçônica histórica como uma das mais antigas de Niterói. O cenário é da rua Visconde de Moraes, esquina com a Travessa Manoel Continentino, ponto de ligação do Centro a Icaraí, em Niterói.

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