Painel: Com Deus, monsenhor merece que cuidemos de suas obras

Consagrado “imortal” pela Academia de Letras, o franzino Monsenhor Elídio Robaina cumpriu de forma invejável a sua missão na Terra mas, face a rotatividade da vida religiosa e da falta de compreensão de alguns, partiu deixando-nos a missão de lutar para completar a sua amável jornada terrena.

Uma das suas frustrações foi o embargo da obra do Centro Comunitário ao lado da Igreja de São Domingos, a segunda mais antiga de Niterói. Pequenos detalhes impediram seu prosseguimento, o que contrasta com os planos de implantação de “espigões” particulares no histórico bairro onde ele também atuou.

A “Casa dos Meninos”, um centro social por ele construído, no Morro do Palácio, onde havia implantado um templo, com visão para o Cristo Redentor, o Pão de Açucar, o Caminho Niemeyer e Icaraí, teve sua finalidade desvirtuada.

Homem de visão social, o campista que se eternizou como niteroiense, materializou outras obras divinas naquela região, como a bonita “Casa Cura D´Ars”, defronte ao Solar do Jambeiro e ao lado do Museu Janete Costa. Ele se apiedara dos padres compulsoriamente aposentados e sem família, que não tinham onde morar, como alguns que abrigou na Casa Paroquial da Igreja de São Domingos.

Em todos os bairros

O respeitável evangelizador construiu a Igreja de N.S da Conceição (na Ilha), construiu a Igreja de São José, no Morro do Castro e idealizou, sem poder levar à frente, um templo no Morro do Holofote.

Quando foi transferido para a Igreja de São Lourenço da Várzea e encontrando-a em precário tomou medidas imediatas com apoio de “A Tribuna”, dos fiéis e do Arcebispado: a recuperação dos pesados sinos e sua elevação à torre; uma “campanha da tinta” para restaurar o gigante imóvel; a criação de valiosa biblioteca (que precisa ser resguardada), aquisição de imóvel abandonado de Igreja Evangélica, no Morro Boavista, onde criou a Igreja de N. S. Aparecida e um Centro Social.

Em todos momentos

Cansado ou não o monsenhor Elidio Robaina estava as 24 horas a serviço de Deus e do seu povo.

Um dos mais procurados para celebrar casamentos, talvez tinha sido o que mais batizou crianças e reuniu adolescentes em encontros religiosos. Com agenda cheia de celebrações de missas e participação em eventos sociais e culturais, ou em ações de administração das grandes obras que realizou, abençoava obras e serviços de iniciativa da comunidade, ministrava extrema unções e celebrava missas de corpo presente e nunca recusou acatar as orientações e chamamentos dos arcebispos.

Inovou com celebrações de missas em trovas e participava atividades da Universidade da Terceira Idade, a Univerti, criada por Waldenir Bragança, ou do “Projeto Gugu”, realização do médico Carlos Augusto Bitencourt, e da Academia de Letras.

Promovia campanhas de doação de alimentos, de agasalhos ou enxovais para bebês.

O grande comunicador

Aderindo à celebração de missas televisivas, sempre manteve informativos nas diversas igrejas onde atuou, sempre escrevendo artigos e mensagens de alto valor evangelizador. Também dirigia cartas individuais aos fiéis, parabenizando-os com mensagens individuais em seus aniversários.

Retribuía, na medida possível, presentes ou livros aos colaboradores das obras de igrejas.

Mensagens de alta espiritualidade

Dedicava atenção especial às crianças e aos pobres. A áurea positiva do cidadão gerou um cordão de solidariedade à sua volta: um exército de bondade pronto a socorrê-lo e a ajudar as suas atividades. Agora, certamente estará ao seu lado, o saudoso engenheiro José Bedran Simões, participante e projetista de suas obras vivas, complementando o trabalho da sua irmã, Tetê Bedran, que o assistiu como secretária ou enfermeira, a exemplo de muitos médicos como a dra. Cláudia.

Despertou muitas vocações para a Igreja e dirigiu o seminário Arquidiocesano.

Programático e previdente, deixou pronto o seu jazigo e, no Dia de Finados, ia até lá para benzer a sua futura morada terrena.

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